Syderotelos Bula

Syderotelos

Contraindicação do Syderotelos

Deferasirox (substância ativa deste medicamento) é
contraindicado quando o clearance (depuração) de
creatinina é lt; 40 mL/min ou a creatinina sérica gt; 2 vezes o
limite superior da normalidade na idade apropriada.

Em pacientes com síndrome mielodisplásica (SMD) de alto risco e
pacientes com outras malignidades hematológicas e não
hematológicas, nos quais não se esperam benefícios da terapia de
quelação devido à rápida progressão da doença.

Deferasirox (substância ativa) é contraindicado em pacientes com
hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer dos excipientes
da fórmula.

Como usar o Syderotelos

Deferasirox (substância ativa deste medicamento) deve ser tomado
uma vez por dia com o estômago vazio pelo menos 30 minutos antes da
refeição e, de preferência, no mesmo horário todos os dias. Os
comprimidos são dispersíveis por agitação em um copo de água ou
suco de laranja ou maçã (100 – 200 mL) até que uma fina suspensão
seja obtida. Após a ingestão da suspensão, qualquer resíduo deve
ser novamente disperso em um pequeno volume de água ou suco de
laranja ou maçã e ingerido. Os comprimidos não devem ser mastigados
ou engolidos inteiros. A dispersão em bebidas gaseificadas ou leite
não é recomendada devido à formação de espuma e à demora para
dispersão, respectivamente.

Este medicamento não deve ser partido ou
mastigado.

Posologia

Recomenda-se que a terapia com Deferasirox (substância ativa)
seja iniciada após a transfusão de aproximadamente 20 unidades
(aproximadamente 100 mL/kg) de bolsas de hemácias ou quando há
evidência de sobrecarga crônica de ferro por avaliação clínica (p.
ex. ferritina sérica gt; 1000 microgramas/L).

As doses (em mg/kg) devem ser calculadas e arredondadas para um
número mais próximo de comprimidos inteiros.

A terapia com agentes quelantes de ferro tem o objetivo de
remover a quantidade de ferro administrada nas transfusões e,
quando necessário, reduzir a carga de ferro existente. A decisão de
remover o acúmulo de ferro deve ser individualizada com base no
benefício clínico já comprovado e nos riscos da terapia de
quelação.

Dose inicial

A dose diária inicial de Deferasirox (substância ativa) é de 20
mg/kg de peso corpóreo.

Uma dose diária inicial de 30 mg/kg pode ser considerada para
pacientes recebendo mais que 14 mL/kg/mês de hemácias
(aproximadamente mais de 4 unidades/mês para um adulto) e para
aqueles cujo objetivo é reduzir a sobrecarga de ferro.

Uma dose inicial de 10 mg/kg pode ser considerada para pacientes
recebendo menos que 7 mL/kg/mês de hemácias (aproximadamente menos
de 2 unidades/mês para um adulto) e para aqueles cujo objetivo é a
manutenção do nível de ferro no organismo.

Para pacientes que já estão bem controlados com o tratamento com
desferroxamina, uma dose inicial de Deferasirox (substância ativa)
equivale numericamente à metade da dose de desferroxamina
administrada [por ex.: um paciente recebendo 40 mg/kg/dia de
desferroxamina, por 5 dias na semana (ou equivalente), pode ser
transferido para o tratamento com Deferasirox (substância ativa)
utilizando uma dose inicial de 20 mg/kg/dia].

Ajuste de dose

Recomenda-se que a ferritina sérica seja monitorada todo mês e
que a dose de Deferasirox (substância ativa) seja ajustada, se
necessário, a cada 3 a 6 meses, baseando-se na tendência da
ferritina sérica. Ajustes de dose podem ser feitos por etapas de 5
a 10 mg/kg e de acordo com as respostas individuais dos pacientes e
seus objetivos terapêuticos (manutenção ou redução da sobrecarga de
ferro). Em pacientes não controlados adequadamente com doses de 30
mg/kg (por exemplo, níveis de ferritina sérica persistentemente
acima de 2.500 microgramas/L, e não mostrando uma tendência
decrescente ao longo do tempo) doses de até 40 mg/kg podem ser
consideradas. As doses acima de 40 mg/kg não são recomendadas
porque há somente experiências limitadas com doses acima deste
nível.

Em pacientes nos quais o nível de ferritina sérica atinge o
valor desejado (geralmente entre 500 e 1.000 microgramas/L),
reduções de doses em etapas de 5 a 10 mg/kg devem ser consideradas
até a manutenção do nível de ferritina sérico dentro do intervalo
desejado. Se a ferritina sérica cair consistentemente abaixo de 500
microgramas/L, deve ser considerada a interrupção do tratamento.
Como ocorre com outros quelantes de ferro, o risco de toxicidade de
Deferasirox (substância ativa) pode ser aumentado quando pacientes
com baixa carga de ferro ou com níveis de ferritina sérica
ligeiramente elevados recebem doses mais altas
inapropriadamente.

As doses recomendadas estão apresentadas na Tabela
5:

*Conversão de dose (explicação mais detelhada na Tabela 6).

As informações sobre a conversão de dose entre comprimidos
dispersíveis com a deferoxamina, são mostradas na Tabela 6
abaixo.

Tabela 6 Conversão de dose:

Dose de deferoxamina**

Dose diária de Deferasirox (substância
ativa)

Comprimidos dispersíveis

10 mg/kg 5 mg/kg
20 mg/kg 10 mg/kg
30 mg/kg 15 mg/kg
40 mg/kg 20 mg/kg
50 mg/kg 25 mg/kg
60 mg/kg 30 mg/kg
Não aplicável* 35 mg/kg
Não aplicável* 40 mg/kg

Pacientes com insuficiência renal

O tratamento com Deferasirox (substância ativa) deve ser usado
com cautela em pacientes com níveis de creatinina sérica acima do
limite para a idade. Deve-se ter cautela especialmente ao ser usado
em pacientes com clearance (depuração) de creatinina entre
40 e 60 mL/min, particularmente nos casos em que há fatores de
risco adicionais que podem comprometer a função renal, tais como
medicações concomitantes, desidratação, ou infecções graves.

As recomendações de dosagem inicial para pacientes com
insuficiência renal são as mesmas descritas acima. A creatinina
sérica deve ser monitorada mensalmente em todos os pacientes e, se
necessário, doses diárias podem ser reduzidas em 10 mg/kg.

Pacientes com insuficiência hepática

Deferasirox (substância ativa) foi estudado em um ensaio clínico
em pacientes com insuficiência hepática. Para pacientes com
insuficiência hepática moderada (Child-Pugh B), a dose inicial deve
ser reduzida em aproximadamente 50%. Deferasirox (substância ativa)
não deve ser utilizado em pacientes com insuficiência hepática
grave (Child-Pugh C).

A função hepática em todos os pacientes deve ser monitorada
antes de iniciar o tratamento, a cada 2 semanas durante o primeiro
mês e depois mensalmente.

Pacientes pediátricos

As recomendações de dosagem para pacientes pediátricos são as
mesmas para pacientes adultos. Mudanças no peso de pacientes
pediátricos ao longo do tempo devem ser consideradas no cálculo da
dose.

Pacientes idosos

As recomendações de dosagem para pacientes idosos são as mesmas
descritas acima.

Em estudos clínicos, pacientes idosos tiveram uma frequência
maior de reações adversas do que pacientes mais jovens e devem ser
monitorados cautelosamente para reações adversas que podem requerer
o ajuste de dose.

Este medicamento não deve ser partido ou
mastigado.

Precauções do Syderotelos

A decisão de remover a sobrecarga de ferro deve ser
individualizada e baseada nos riscos e benefícios clínicos
antecipados da terapia de quelação.

Deve-se ter cautela ao ser usado em pacientes idosos devido à
maior frequência de reações adversas.

Insuficiência Renal

Aumentos não progressivos na creatinina sérica foram observados
em alguns pacientes tratados com Deferasirox (substância ativa
deste medicamento), geralmente dentro da variação normal. Casos de
insuficiência renal aguda foram relatados após a comercialização de
Deferasirox (substância ativa).

Embora a relação causal com Deferasirox (substância ativa) não
pôde ser estabelecida, houve casos raros de insuficiência renal
aguda que necessitaram de diálise ou com desfecho fatal.

É recomendado que a creatinina sérica e/ou o clearance
(depuração) de creatinina sejam avaliados em duplicata antes de
iniciar a terapia e seguida mensalmente durante o tratamento.

Pacientes com condições renais pré-existentes, ou pacientes que
estejam recebendo medicamentos que possam deprimir a função renal
podem ter maior risco de complicações e recomenda-se o seguimento
semanal da creatinina sérica e/ou do clearance de
creatinina no primeiro mês após início ou modificação da terapia, e
mensalmente durante o tratamento.

Deve-se ter cautela ao ser usado em pacientes com
clearance (depuração) de creatinina entre 40 e 60 mL/min,
particularmente nos casos em que há fatores de risco adicionais que
possam comprometer a função renal, tais como medicações
concomitantes, desidratação, ou infecções graves.

Tubulopatia renal foi relatada em pacientes tratados com
Deferasirox (substância ativa). A maioria destes pacientes eram
crianças e adolescentes com beta-talassemia e níveis de ferritina
sérica lt; 1.500 micrograma/L.

Exames de proteinúria devem ser realizados
mensalmente.

Deve-se ter cuidado para manter hidratação adequada em pacientes
que apresentem diarreia ou vômito.

Para pacientes adultos, a dose diária de Deferasirox (substância
ativa) pode ser reduzida para 10 mg/kg se um aumento não
progressivo na creatinina sérica maior que 33% acima da média das
medidas pré-tratamento for detectado em duas consultas
consecutivas, e não puder ser atribuído a outras causas. Para
pacientes pediátricos, a dose deve ser reduzida para 10 mg/kg se os
níveis da creatinina sérica aumentarem acima do limite superior da
normalidade para a idade em duas consultas consecutivas.

Se houver um aumento progressivo na creatinina sérica, além do
limite superior para a idade, Deferasirox (substância ativa)deve
ser interrompido. A terapia com Deferasirox (substância ativa) deve
ser reiniciada dependendo das circunstâncias clínicas
individuais.

Insuficiência Hepática

Deferasirox (substância ativa) não é recomendado em pacientes
com insuficiência hepática grave (Child-Pugh C).

O tratamento com Deferasirox (substância ativa) foi iniciado
somente em pacientes com níveis de transaminases hepáticas até 5
vezes o limite superior da normalidade para a idade. A
farmacocinética do Deferasirox (substância ativa) não foi
influenciada por tais níveis de transaminase. O Deferasirox
(substância ativa) é eliminado principalmente por glucuronidação e
é minimamente (aproximadamente 8%) metabolizado pelas enzimas
oxidativas do citocromo P450.

Embora incomuns (0,3%), foram observadas, em estudos clínicos,
elevações de transaminases maiores que 10 vezes o limite superior
da normalidade, sugerindo hepatite. Houve relatos,
pós-comercialização, de falência hepática em pacientes tratados com
Deferasirox (substância ativa). A maioria dos relatos de falência
hepática envolveram pacientes com comorbidades significativas
incluindo cirrose hepática e falência múltipla de órgãos; casos
fatais foram relatados em alguns destes pacientes.

É recomendado que as transaminases séricas, bilirrubina e
fosfatase alcalina sejam monitoradas antes do início do tratamento,
a cada 2 semanas durante o primeiro mês e depois mensalmente. Se
houver um aumento persistente e progressivo nos níveis de
transaminases séricas que não possa ser atribuído a outras causas,
Deferasirox (substância ativa) deve ser interrompido. Uma vez que a
causa dos testes anormais de função hepática sejam esclarecidos ou
após retorno aos níveis normais, deve-se ter cautela ao reiniciar o
tratamento com Deferasirox (substância ativa) em uma dose menor,
seguida de um escalonamento gradual de dose.

Distúrbios sanguíneos

Após o início da comercialização, houve relatos (ambos
espontâneos e de estudos clínicos) de citopenias em pacientes
tratados com Deferasirox (substância ativa). A maioria destes
pacientes tinham distúrbios hematológicos pré-existentes, que são
frequentemente associados à falência medular. A relação destes
episódios ao tratamento com Deferasirox (substância ativa) é
incerta.

De acordo com a prática clínica e o padrão de tais distúrbios
hematológicos, contagens sanguíneas devem ser avaliadas
regularmente. Em pacientes que desenvolvam citopenia de forma
inexplicada, deve-se considerar a interrupção do tratamento com
Deferasirox (substância ativa). A reintrodução da terapia com
Deferasirox (substância ativa) pode ser considerada, uma vez que a
causa da citopenia seja elucidada.

Distúrbios Gastrintestinais

Podem ocorrer irritações gastrintestinais (GI) durante o
tratamento com Deferasirox (substância ativa). Foram relatadas
ulcerações gastrintestinais superiores e hemorragia em pacientes
recebendo Deferasirox (substância ativa), inclusive em crianças e
adolescentes. Houve raros relatos de hemorragias GI fatais,
especialmente em pacientes idosos que tinham malignidades
hematológicas avançadas e/ou contagem baixa de plaquetas. Em alguns
pacientes foram observadas úlceras múltiplas. Médicos e pacientes
devem ficar atentos aos sinais e sintomas de ulcerações GI e
hemorragias durante a terapia com Deferasirox (substância ativa) e,
se houver suspeita de um evento adverso GI grave, deve-se iniciar
avaliação adicional e tratamento prontamente. Houve relatos de
úlceras complicadas com perfuração gastrintestinal (incluindo
desfecho fatal).

Deve-se ter cautela em pacientes que estejam tomando Deferasirox
(substância ativa) em combinação com drogas que são conhecidas como
ulcerogênicas potenciais, tais como AINEs, corticosteroides, ou
bisfosfonatos orais, em pacientes que estejam recebendo
anticoagulantes, e em pacientes com contagem plaquetária lt; 50 x
109/L.

Reações de hipersensibilidade

Casos raros de reações graves de hipersensibilidade (tais como
anafilaxia e angioedema) foram relatados em pacientes recebendo
Deferasirox (substância ativa), com o começo da reação ocorrendo,
na maioria dos casos, dentro do primeiro mês de tratamento.

No caso de reações graves, Deferasirox (substância ativa) deve
ser descontinuado e intervenções médicas apropriadas devem ser
instituídas. Deferasirox (substância ativa) não deve ser
reintroduzido em pacientes que sofreram reações de
hipersensibilidade anteriores com Deferasirox (substância ativa),
devido ao risco de choque anafilático.

Distúrbios de pele

Foram relatadas reações adversas cutâneas graves (RCGA),
incluindo síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica
(NET) e reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos
(DRESS), as quais podem cursar com risco de morte ou ser fatais.
Pacientes devem ser avisados sobre os sinais e sintomas de reações
cutâneas graves adversas e ser monitorados de perto. Se houver
suspeita de RCGA, Deferasirox (substância ativa) deve ser
descontinuado imediatamente e não deve ser reintroduzido.

Casos raros de eritema multiforme foram relatados durante o
tratamento com Deferasirox (substância ativa).

Erupções cutâneas (rash) podem aparecer durante o
tratamento com Deferasirox (substância ativa). Para os casos de
erupções cutâneas (rash) de severidade leve ou moderada,
Deferasirox (substância ativa) deve ser continuado sem ajuste de
dose, uma vez que a erupção cutâneas (rash) frequentemente
se resolve espontaneamente. Para erupções cutâneas (rash)
mais graves, onde a interrupção do tratamento pode ser necessária,
Deferasirox (substância ativa) pode ser reintroduzido após
resolução da erupção cutâneas (rash) em uma dose menor,
seguida por escalonamento gradual de dose.

Visão e audição

Distúrbios auditivos (diminuição de audição) e oculares
(opacidade de cristalino) foram reportados com o tratamento com
Deferasirox (substância ativa). Testes auditivos e oftalmológicos
(incluindo fundoscopia) são recomendados antes do início do
tratamento com Deferasirox (substância ativa) e em intervalos
regulares durante a terapia (a cada 12 meses). A redução ou
interrupção da dose pode ser considerada, se estes distúrbios forem
observados.

Outras considerações

É recomendado que a ferritina sérica seja dosada todo mês para
avaliação da resposta do paciente à terapia. Em pacientes nos quais
o nível de ferritina sérica atingiu o valor desejado (normalmente
entre 500 e 1.000 microgramas/L), reduções de dose em etapas de 5 a
10 mg/kg devem ser consideradas para manter os níveis de ferritina
sérica dentro da faixa alvo. Se a ferritina sérica cair
consistentemente abaixo de 500 μg/L, a interrupção do tratamento
deve ser considerada.

Assim como com outros quelantes de ferro, o risco de toxicidade
de Deferasirox (substância ativa) pode ser aumentado quando doses
mais altas são administradas inapropriadamente a pacientes com
baixa sobrecarga de ferro ou com níveis de ferritina sérica que
estejam levemente elevados.

Deferasirox (substância ativa) não foi associado com retardo no
crescimento de crianças seguidas por até 5 anos em estudos clínicos
com comprimidos dispersíveis. Entretanto, como uma medida geral de
precaução, o peso corpóreo e o crescimento longitudinal em
pacientes pediátricos podem ser monitorados em intervalos regulares
(a cada 12 meses).

Os comprimidos contêm lactose (1,1 mg de lactose para cada mg de
Deferasirox (substância ativa)). Este medicamento não é recomendado
para pacientes com problemas hereditários raros de intolerância à
galactose, de deficiência grave de lactase ou de má absorção de
glicose-galactose.

Mulheres em idade fértil

Estudos em animais mostraram que Deferasirox (substância ativa)
não foi teratogênico em ratos ou coelhos, mas causou aumento da
frequência de variações esqueléticas e de ratos nascidos mortos com
altas doses que foram altamente tóxicas para a mãe não
sobrecarregada com ferro.

O Deferasirox (substância ativa) não causou outros efeitos na
fertilidade ou reprodução. O risco potencial para humanos é
desconhecido.

Deve-se ter precaução quando Deferasirox (substância ativa) for
combinado com agentes contraceptivos hormonais que são
metabolizados pelo CYP3A4 devido a uma possível diminuição na
eficácia dos agentes contraceptivos.

Fertilidade

Deferasirox (substância ativa) não afetou a fertilidade ou
reprodução em estudos com ratos mesmo em doses tóxicas.

Gravidez

Não estão disponíveis dados clínicos em mulheres grávidas
expostas a Deferasirox (substância ativa). Estudos em animais têm
demonstrado alguma toxicidade reprodutiva em doses tóxicas.

O risco potencial para humanos não é conhecido.

Como uma precaução, é recomendado que Deferasirox (substância
ativa) não seja usado durante a gravidez, a menos que claramente
necessário.

Deferasirox (substância ativa) enquadra-se na categoria
C de risco na gravidez.

Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres
grávidas sem orientação médica ou do
cirurgião-dentista.

Lactação

Em estudos em animais, Deferasirox (substância ativa) foi
demonstrado ser rápido e extensivamente secretado no leite materno.
Não foram observados efeitos na ninhada com doses não tóxicas de
Deferasirox (substância ativa) para as mães. Não se sabe se o
Deferasirox (substância ativa) é secretado no leite humano. A
lactação não é recomendada durante o tratamento com Deferasirox
(substância ativa).

Efeitos sobre a habilidade de dirigir veículos e/ou
operar máquinas

Não foram realizados estudos para avaliação dos efeitos de
Deferasirox (substância ativa) sobre a habilidade de dirigir
veículos e/ou operar máquinas. Pacientes que apresentaram tontura,
uma reação adversa incomum, devem ter cuidado ao dirigir veículos
ou operar máquinas.

Incompatibilidade

A dispersão em bebidas gaseificadas ou leite não é recomendada
devido à formação de espuma e lenta dispersão, respectivamente.

Reações Adversas do Syderotelos

As reações mais frequentes reportadas durante o tratamento
crônico com Deferasirox (substância ativa deste medicamento)
comprimidos dispersíveis em pacientes adultos e pediátricos incluem
distúrbios gastrintestinais em aproximadamente 26% dos pacientes
(principalmente náusea, vômito, diarreia ou dor abdominal), e
erupção cutânea (rash) em aproximadamente 7% dos
pacientes. Estas reações são dose-dependentes, na maioria das vezes
leves a moderadas, geralmente transitórias e, na sua maior parte,
se resolvem até mesmo se o tratamento for continuado. Aumentos
leves, não progressivos, da creatinina sérica, na maioria das vezes
dentro dos limites normais, ocorrem em aproximadamente 36% dos
pacientes. Estes são dose-dependentes, que frequentemente se
resolvem espontaneamente e, algumas vezes, podem ser aliviados pela
redução de dose.

Em estudos clínicos com pacientes com sobrecarga de ferro devido
a transfusões de sangue, foram reportadas elevações de
transaminases hepáticas em aproximadamente 2% dos pacientes. Não
houve dependência na dose e a maioria destes pacientes tinha níveis
elevados antes de receber Deferasirox (substância ativa).

Elevações de transaminases maiores do que 10 vezes o limite
superior da normalidade, sugerindo hepatite, foram incomuns (0,3%).
Houve relatos pós-comercialização de falência hepática em pacientes
tratados com Deferasirox (substância ativa). A maioria dos relatos
de falência hepática envolveram pacientes com comorbidades
significativas, incluindo cirrose hepática e falência múltipla de
órgãos; casos fatais foram relatados em alguns destes
pacientes.

Diminuição da acuidade auditiva (principalmente sons de alta
frequência) e opacidade do cristalino (catarata prematura) foram
incomumente observados em pacientes tratados com Deferasirox
(substância ativa), assim como ocorre com outros quelantes de
ferro.

As seguintes reações adversas, listadas na Tabela 4, foram
relatadas em estudos clínicos após tratamento com Deferasirox
(substância ativa).

As reações adversas foram classificadas abaixo usando a
seguinte convenção

  • Muito comum (≥ 1/10);
  • Comum (≥ 1/100, lt; 1/10);
  • Incomum (≥ 1/1.000, lt; 1/100);
  • Raro (≥ 1/10.000, lt; 1/1.000);
  • Muito raro (lt; 1/10.000).

Dentro de cada grupo de frequência, reações adversas são
apresentadas em ordem decrescente de gravidade.

Tabela resumida de reações adversas de estudos
clínicos

Tabela 4 – Reações adversas relatadas nos estudos
clínicos:

Classe de sistema de órgãos

Categoria de frequência

Reações adversas

Distúrbios
psiquiátricos

Incomum

Ansiedade, distúrbios do sono.

Distúrbios do sistema nervoso

Comum

Cefaleia.

Incomum

Tontura.

Distúrbios visuais

Incomum

Catarata, maculopatia.

Rara

Neurite óptica.

Distúrbios auditivos e
do labirinto

Incomum

Surdez.

Distúrbios
respiratórios, torácicos e mediastinais

Incomum

Dor na laringe.

Distúrbios gastrintestinais

Comum

Diarreia, constipação, vômito, náusea,
dor abdominal, distensão abdominal, dispepsia.

Incomum

Hemorragia gastrintestinal, úlcera
gástrica (incluindo úlceras múltiplas), úlcera duodenal, gastrite,
pancreatite aguda.

Rara

Esofagite.

Distúrbios hepatobiliares

Comum

Aumento de transaminases.

Incomum

Hepatite, colelitíase.

Distúrbios da pele e de tecidos subcutâneos

Comum

Erupção cutânea (rash),
prurido.

Incomum

Distúrbios de pigmentação.

Rara

Eritema multiforme.

Distúrbios renais e urinários

Muito comum

Aumento de creatinina sérica.

Comum

Proteinúria.

Incomum

Disfunção tubular renal (síndrome de
Fanconi).

Distúrbios gerais e
condições do local de administração

Incomum

Pirexia, edema, fadiga.

Lista de reações adversas de relatos espontâneos
pós-comercialização

Reações adversas relatadas espontaneamente, apresentadas na
Tabela 5, foram reportadas voluntariamente e nem sempre é possível
estabelecer uma frequência confiável ou uma relação causal com a
exposição à droga.

Tabela 5 – Reações adversas derivadas de relatos
espontâneos (frequência não conhecida):

Classe de sistema de órgãos

Reações adversas

Distúrbios do sistema imunológico

Reações de
hipersensibilidade (incluindo reações anafiláticas e
angioedema).

Distúrbios gastrintestinais

Perfuração
gastrintestinal.

Distúrbios hepatobiliares

Falência hepática.

Distúrbios da pele e de tecidos
subcutâneos

Síndrome de
Stevens-Johnson, vasculite de hipersensibilidade, urticária,
alopecia, necrólise epidérmica tóxica (NET).

Distúrbios renais e urinários

Necrose tubular renal,
falência renal aguda (na maioria, aumentos de creatinina sérica ≥ 2
vezes o limite superior da normalidade e, geralmente, reversível
após interrupção do tratamento); nefrite tubulointersticial.

Descrição das reações adversas selecionadas

Citopenias

Após a comercialização, ocorreram relatos (ambos espontâneos e
de estudos clínicos) de citopenias, incluindo neutropenia,
trombocitopenia, e anemia agravada em pacientes tratados com
Deferasirox (substância ativa). A maioria destes pacientes tinham
distúrbios hematológicos pré-existentes, que são frequentemente
associados à falência medular. A relação destes episódios com o
tratamento com Deferasirox (substância ativa) é incerta.

Pancreatite

Casos de pancreatite aguda grave foram observados com e sem
condições biliares subjacentes documentadas.

População pediátrica

Tubulopatia renal foi relatada em pacientes tratados com
Deferasirox (substância ativa). A maioria destes pacientes eram
crianças e adolescentes com beta-talassemia e níveis de ferritina
sérica lt; 1.500 micrograma/L.

Em um estudo observacional de 5 anos no qual 267 crianças com
idade de 2 a lt; 6 anos (no momento da inscrição) com hemossiderose
transfusional receberam Deferasirox (substância ativa), não foram
encontrados dados inesperados de segurança em relação à eventos
adversos (EAs) ou alterações laboratoriais.

Aumento da creatinina sérica em gt; 33% e acima do limite
superior do normal (LSN) em ≥ 2 ocasiões consecutivas foi observado
em 3,1% das crianças e elevação de alanina aminotransferase (ALT)
maior do que 5 vezes o LSN foi relatada em 4,3% das crianças. As
reações adversas mais frequentemente observadas relatadas com
suspeita de relação com o medicamento estudado foram o aumento da
ALT (21,1%), aumento da aspartato aminotransferase (AST, 11,9%),
vômitos (5,4%), erupção cutânea (5,0%), aumento da creatinina no
sangue (3,8 %), dor abdominal (3,1%) e diarreia (1,9%). O
crescimento e desenvolvimento globais não foram afetados nesta
população pediátrica.

Em casos de eventos adversos, notifique ao Sistema de
Notificações em Vigilância Sanitária – NOTIVISA ou para Vigilância
Sanitária Estadual ou Municipal.

Interação Medicamentosa do Syderotelos

Agentes que podem diminuir a exposição sistêmica ao
Deferasirox (substância ativa deste medicamento)

Em estudo com voluntários sadios, a administração concomitante
de Deferasirox (substância ativa) (dose única de 30 mg/kg,
comprimidos dispersíveis) e rifampicina, potente indutor de
UDP-glucorosiltransferase (UGT) (dose repetida de 600 mg/dia)
resultou em diminuição da exposição de Deferasirox (substância
ativa) de 44% (IC de 90%: 37% – 51%). Desta forma, o uso
concomitante de Deferasirox (substância ativa) com indutores
potentes de UGT (ex.: rifampicina, fenitoína, fenobarbital,
ritonavir) pode resultar na diminuição da eficácia de Deferasirox
(substância ativa). Se Deferasirox (substância ativa) e um indutor
potente de UGT forem usados concomitantemente, aumentos na dose de
Deferasirox (substância ativa) devem ser considerados baseando-se
na resposta clínica à terapia.

Interação com midazolam e outros agentes metabolizados
pelo CYP3A4

Em um estudo com voluntários sadios, a administração
concomitante de Deferasirox (substância ativa) comprimidos
dispersíveis e midazolam (um substrato do CYP3A4) resultou na
diminuição da exposição de midazolam em 17% (IC de 90%: 8% – 26%).
Na prática clínica, este efeito pode ser mais pronunciado.
Portanto, devido à possível diminuição na eficácia, deve-se ter
cautela quando Deferasirox (substância ativa) for combinado com
substâncias metabolizadas pelo CYP3A4 (como ciclosporina,
sinvastatina, contraceptivos hormonais).

Interação com repaglinida e outros agentes metabolizados
pelo CYP2C8

Em estudo com voluntários sadios, a administração concomitante
de Deferasirox (substância ativa) (dose repetida de 30 mg/kg/dia,
comprimidos dispersíveis) com repaglinida, um substrato da CYP2C8
(dose única de 0,5 mg), resultou em aumento na AUC e
Cmáx de repaglinida de 131% (IC de 90%: 103% – 164%) e
62% (IC de 90%: 42% – 84%), respectivamente.

Quando Deferasirox (substância ativa) e repaglinida são usados
concomitantemente, deve ser feito monitoramento cuidadoso dos
níveis de glicose. A interação entre Deferasirox (substância ativa)
e outros substratos da CYP2C8, como paclitaxel, não pode ser
excluída.

Interação com teofilina e outros agentes metabolizados
pelo CYP1A2

Em um estudo com voluntários sadios, a administração
concomitante de Deferasirox (substância ativa) (dose repetida de 30
mg/kg/dia, comprimidos dispersíveis) com teofilina, um substrato do
CYP1A2 (dose única de 120 mg), resultou em aumento da AUC da
teofilina em 84% (IC de 90%: 73% a 95%). A Cmáx da dose
única não foi afetada, mas um aumento da Cmáx de
teofilina deverá ocorrer com administração crônica. Quando
Deferasirox (substância ativa) e teofilina são utilizados
concomitantemente, o monitoramento da concentração de teofilina e
uma possível redução da dose de teofilina devem ser considerados.
Uma interação entre Deferasirox (substância ativa) e outros
substratos de CYP1A2 pode ser possível.

Outras informações

Não foram observadas interações entre Deferasirox (substância
ativa) e digoxina em voluntários sadios.

A administração concomitante de Deferasirox (substância ativa) e
vitamina C não foi estudada formalmente.

As doses de vitamina C até 200 mg por dia não foram associadas
com reações adversas.

O perfil de segurança de Deferasirox (substância ativa) em
combinação com outros quelantes de ferro (deferoxamina,
deferiprona) observado nos estudos clínicos, experiência
pós-comercialização ou literatura publicada (conforme o caso) foi
consistente com o caracterizado para monoterapia.

A administração concomitante de Deferasirox (substância ativa) e
preparações antiácidas contendo alumínio não foi estudada
formalmente. Embora Deferasirox (substância ativa) tenha uma
afinidade mais baixa por alumínio que por ferro, comprimidos de
Deferasirox (substância ativa) não devem ser tomados com
preparações antiácidas contendo alumínio.

A administração concomitante de Deferasirox (substância ativa)
com drogas que são conhecidas como ulcerogênicas potenciais, tais
como AINEs, corticosteroides, ou bisfosfonatos orais, e o uso de
Deferasirox (substância ativa) em pacientes recebendo
anticoagulantes podem aumentar o risco de irritação
gastrintestinal.

Interação Alimentícia do Syderotelos

A biodisponibilidade do Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) comprimidos dispersíveis foi aumentada para uma
extensão variável quando tomada ao longo da refeição. Embora a
biodisponibilidade tenha sido quase dobrada quando Deferasirox
(substância ativa) foi ingerido com refeições contendo alto teor de
gordura, este aumento também variou de forma importante com outros
teores de gordura e horários de ingestão de Deferasirox (substância
ativa) com relação às refeições.

Como nos estudos pivotais, Deferasirox (substância ativa) foi
administrado em pacientes com estômago vazio, recomenda-se que
Deferasirox (substância ativa) deva ser tomado com o estômago
vazio, pelo menos 30 minutos antes da refeição, e de preferência no
mesmo horário todos os dias.

Ação da Substância Syderotelos

Resultados da eficácia

Um estudo de fase III controlado, aberto e randomizado com
comparador ativo para comparar Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) e Desferal (desferroxamina) foi conduzido em pacientes
com beta-talassemia e hemossiderose transfusional. Pacientes com
idade maior ou igual a 2 anos foram randomizados à razão de 1:1
para receber Deferasirox (substância ativa deste medicamento) oral
nas doses iniciais de 5, 10, 20 ou 30 mg/kg uma vez ao dia ou
Desferal (desferroxamina) subcutâneo nas doses iniciais de 20 a 60
mg/kg por pelo menos 5 dias por semana, baseados na concentração de
ferro hepático (CHF) inicial (2 a 3, gt; 3 a 7, gt; 7 a 14 e gt; 14
mg de Fe/g de peso seco). Foi permitido que pacientes randomizados
para desferroxamina que tiveram valores de CHF lt; 7 mg de Fe/g de
peso seco continuassem em sua dose prévia de desferroxamina, mesmo
que a dose fosse maior do que aquela estabelecida no protocolo.

A CHF foi avaliada no início da terapia e após 12 meses por
biopsia hepática ou não invasivamente por susceptometria
biomagnética. A taxa de sucesso, o desfecho primário de eficácia,
foi definido com uma redução na CHF de gt; 3 mg de Fe/g de peso
seco para valores iniciais gt; 10 mg de Fe/g de peso seco, redução
de valores iniciais entre 7 e lt; 10 para lt; 7 mg de Fe/g de peso
seco, ou manutenção ou redução para valores iniciais de lt; 7 mg de
Fe/g de peso seco. Deferasirox (substância ativa deste medicamento)
seria declarado como não inferior à desferroxamina se o limite
inferior do intervalo de confiança de 95% (two-sided) da
diferença nas taxas de sucesso fosse acima de -15%.

No total, 586 pacientes foram randomizados. As características
demográficas foram bem balanceadas. Entre os pacientes, 51% tinham
lt; 16 anos de idade. As taxas globais de sucesso foram de 52,9%
para Deferasirox (substância ativa deste medicamento) e 66,4% para
desferroxamina com uma diferença de -13,5 nas taxas de sucesso e um
IC de 95% de [-21,6 a -5,4]. A não inferioridade à desferroxamina
não foi atingida porque o limite inferior do IC foi abaixo de
-15%.

Isto foi atribuído ao desequilíbrio da dose estabelecida no
protocolo em relação à dose real nas duas coortes de doses
mais baixas do braço da desferroxamina (Tabela 1). No entanto, a
não inferioridade foi demonstrada no grupo de pacientes com níveis
iniciais de CHF gt; 7 mg de Fe/g de peso seco que foram alocados
para grupos de doses maiores (doses de Deferasirox (substância
ativa deste medicamento) de 20 ou 30 mg/kg e doses de
desferroxamina gt; 35 mg/kg).

As taxas de sucesso com Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) e desferroxamina foram de 58,6% e 58,9%,
respectivamente, e o limite inferior do IC de 95% (-10,2%) foi
acima do limite de não inferioridade de -15%. Em pacientes com CHF
gt; 7 mg de Fe/g de peso seco que foram tratados com Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) 20 a 30 mg/kg por dia foi
observada uma redução estatisticamente significativa na CHF inicial
(-5,3 ± 8,0 mg de Fe/g de peso seco, p lt; 0,001, teste t) que não
foi estatisticamente diferente da desferroxamina (-4,3 ± 5,8 mg de
Fe/g de peso seco, p = 0,367). Os efeitos doses-dependentes na
ferritina sérica e na razão de ferro excretado/recebido nas doses
de Deferasirox (substância ativa deste medicamento) de 5 a 30 mg/kg
também foram observados (Tabela 1).

Tabela 1 – Razão de ferro excretado/recebido e mudança
nos níveis de ferritina sérica no início e com 1 ano de tratamento
no estudo de eficácia primária:

Um segundo estudo de fase II, aberto e não comparativo, de
eficácia e segurança de Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) administrado por um ano para pacientes com anemias
crônicas e hemossiderose transfusional não tratáveis com
desferroxamina também foi conduzido. Os pacientes receberam 5, 10,
20 ou 30 mg/kg por dia de Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) baseados na CHF inicial. O objetivo principal foi
demonstrar uma taxa de sucesso significativamente maior do que 50%
com Deferasirox (substância ativa deste medicamento).

Um total de 184 pacientes foram tratados neste estudo: 85
pacientes com beta-talassemia e 99 pacientes com outras anemias
congênitas ou adquiridas (síndromes mielodisplásicas, n = 47;
síndrome de Blackfan-Diamond, n = 30; outras, n = 22).
Entre os pacientes, 19% tinham lt; 16 anos e 16% tinham gt; 65.
Trinta e sete pacientes não receberam terapia prévia de quelação.
Na população total, a taxa de sucesso (50,5%) não foi
estatisticamente maior do que 50%. Isto foi atribuído ao fato que
as doses de 5 e 10 mg/kg foram insuficientes para a taxa de ferro
que estava sendo recebido por transfusões sanguíneas. No entanto,
em pacientes com CHF gt; 7 mg de Fe/g de peso seco para os quais a
CHF inicial e ao final do estudo estavam disponíveis e que
receberam Deferasirox (substância ativa deste medicamento) 20 a 30
mg/kg por dia, a taxa de sucesso foi 58,5% [p = 0,022 (50,3; 66,6)]
e houve uma redução estatisticamente significativa na CHF absoluta
do início ao final do estudo (- 5,5 ± 7,4 mg de Fe/g de peso seco,
p lt; 0,001, teste t).

Houve também um efeito dose-dependente na ferritina sérica e na
razão de ferro excretado/recebido nas doses de 5 a 30 mg/kg por
dia.

Um terceiro estudo foi conduzido em pacientes com doença
falciforme e hemossiderose transfusional. Este estudo foi um estudo
de fase II, aberto, randomizado, de segurança e eficácia de
Deferasirox (substância ativa deste medicamento) comparado à
desferroxamina, administrados por um ano. Os pacientes foram
randomizados para Deferasirox (substância ativa deste medicamento)
nas doses de 5, 10, 20 ou 30 mg/kg por dia ou desferroxamina
subcutânea nas doses de 20 a 60 mg/kg por dia por 5 dias por semana
de acordo com a CHF inicial.

Um total de 195 pacientes foram tratados no estudo: 132 com
Deferasirox (substância ativa deste medicamento) e 63 com
desferroxamina. 44% dos pacientes tinham lt; 16 anos e 91% eram
negros. No final do estudo, a mudança média na CHF na população per
protocolo-1 (PP- 1), que consistiu de pacientes que tiveram pelo
menos uma avaliação de CHF após o início do estudo, foi -1,3 mg de
Fe/g de peso seco para pacientes recebendo Deferasirox (substância
ativa deste medicamento) (n = 113) e -0,7 mg de Fe/g de peso seco
para pacientes recebendo desferroxamina (n = 54).

Um subestudo cardíaco foi conduzido como parte de um estudo de
fase IV. O subestudo cardíaco foi de um ano, de braço único, aberto
e prospectivo, e incluíram duas coortes de pacientes
beta-talassêmicos com sobrecarga de ferro grave com valores de
fração de ejeção de ventrículo esquerdo (LVEF) gt; 56%. Foram
estudados 114 pacientes com valores iniciais de T2* gt; 5 a lt; 20
ms, indicando siderose miocárdica (coorte de tratamento) e
78 pacientes com T2*cardíaco gt; 20 ms, indicando depósito de ferro
cardíaco sem significância clínica (coorte de prevenção).
Na coorte de tratamento, a dose inicial de Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) foi 30 mg/kg/dia, com
escalonamento até o máximo de 40 mg/kg/dia.

Na coorte de prevenção, a dose inicial foi 20-30
mg/kg/dia, com escalonamento até o máximo de 40 mg/kg/dia. O
objetivo principal do subestudo cardíaco foi a mudança no T2* em um
ano. Na coorte de tratamento, o T2* (média geométrica ± coeficiente
de variação) aumentou significativamente do valor inicial de 11,2
ms ± 40,5% para 12,9 ms ± 49,5%, representando uma melhora
significativa de 16% (p lt; 0,0001). Na coorte de tratamento, foi
observada melhora no T2* em 69,5% dos pacientes e estabilização de
T2* em 14,3% dos pacientes. A LVEF permaneceu estável e dentro da
variação normal: 67,4 ± 5,7% a 67,1 ± 6,0%. Na coorte de prevenção,
o T2* cardíaco permaneceu dentro da faixa normal e não mudou do
valor inicial de 32,0 ms ± 25,6% a 32,5 ms ± 25,1% (+2%; p =
0,565), indicando que o tratamento diário com Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) pode prevenir sobrecarga de
ferro cardíaca em pacientes com beta-talassemia com história de
exposição transfusional alta e regular, e com transfusões em
andamento.

Pacientes na coorte de tratamento do estudo de 1 ano
tiveram a opção de participar em duas extensões de 1 ano. Durante o
período de 3 anos de tratamento, houve melhora estatisticamente
significativa (p lt; 0,0001), progressiva e clinicamente relevante
na média geométrica do T2* cardíaco a partir do inicial no geral,
no subgrupo com sobrecarga de ferro grave, o qual está associado a
alto risco de insuficiência cardíaca (T2* gt; 5 a lt; 10 ms), e no
subgrupo com sobrecarga de ferro leve a moderada (T2* 10 a lt; 20
ms) (Tabela 2). Usando a taxa da média geométrica, o aumento de T2*
foi de 43% acima do inicial em todos os pacientes, 37% acima do
inicial no subgrupo de T2* gt; 5 a lt; 10 ms, e 46% acima do
inicial no subgrupo de T2* 10 a lt; 20 ms). O tratamento contínuo
com Deferasirox (substância ativa deste medicamento) por até 3 anos
em doses gt; 30 mg/kg/dia reduziu efetivamente o ferro cardíaco em
pacientes com talassemia maior com siderose miocárdica, como
mostrado pelo número de pacientes que tiveram seus T2* normalizados
ou melhorados a uma categoria associada a menor risco de
insuficiência cardíaca (Tabela 3).

Tabela 2 – Média Geométrica de T2* (ms) no início e no
final dos anos 1, 2 e 3:

Tabela 3 – Tabela de transição do T2* cardíaco inicial
até o fim da E2 (ano 3):

Características Farmacológicas

Características farmacológicas

Grupo farmacoterapêutico: agente quelante de
ferro, código ATC V03AC03.

Mecanismo de ação

O Deferasirox (substância ativa deste medicamento) é um quelante
ativo oral que é altamente seletivo para ferro (III). É um agente
tridentado que se liga ao ferro com alta afinidade na proporção
2:1. O Deferasirox (substância ativa deste medicamento) promove
excreção de ferro, principalmente nas fezes. O Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) tem uma baixa afinidade por
zinco e cobre, não alterando os níveis séricos destes metais.

Farmacodinâmica

Em um estudo de balanço metabólico de ferro em pacientes adultos
talassêmicos com sobrecarga de ferro, Deferasirox (substância ativa
deste medicamento) em doses diárias de 10, 20 e 40 mg/kg induziu
média de excreção líquida de 0,119; 0,329 e 0,445 mg de Fe/kg de
peso corpóreo por dia, respectivamente.

Deferasirox (substância ativa deste medicamento) foi investigado
em pacientes adultos e pediátricos (com 2 anos de idade ou mais)
com sobrecarga crônica de ferro devido à transfusões sanguíneas. As
condições clínicas que requeriam transfusão foram beta-talassemia,
anemia falciforme e outras anemias congênitas e adquiridas
(síndromes mielodisplásticas, síndrome de Blackfan-Diamond, anemia
aplástica e outras anemias raras).

O tratamento diário com Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) nas doses de 20 e 30 mg/kg por um ano em pacientes
adultos e pediátricos politransfundidos com beta-talassemia levou a
reduções em indicadores de ferro corpóreo total; a concentração de
ferro hepático foi reduzida em aproximadamente -0,4 e -8,9 mg de
Fe/g de tecido hepático (peso seco da biópsia) em média,
respectivamente, e a ferritina sérica foi reduzida em
aproximadamente -36 e -926 micrograma/L em média,
respectivamente.

Nestas mesmas doses, as razões de excreção de ferro: consumo de
ferro foram de 1,02 (indicando balanço líquido de ferro) e 1,67
(indicando remoção líquida de ferro), respectivamente. Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) induziu respostas similares em
pacientes com sobrecarga de ferro devido a outras anemias. Doses
diárias de 10 mg/kg por um ano mantiveram os níveis de ferro
hepático e de ferritina sérica e induziram o balanço líquido de
ferro em pacientes recebendo transfusões eventuais ou transfusão de
troca de hemácias. A ferritina sérica avaliada mensalmente refletiu
as mudanças na concentração de ferro hepático, indicando que
tendências na ferritina sérica podem ser usadas para monitorar a
resposta à terapia.

Em pacientes com acúmulo cardíaco de ferro (MRI T2* lt; 20 ms),
o tratamento com Deferasirox (substância ativa deste medicamento)
mostrou remover o ferro cardíaco, demonstrado por melhora
progressiva nos valores de T2* durante 3 anos de observação. Em
pacientes sem acúmulo cardíaco, Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) mostrou prevenir o acúmulo cardíaco de ferro de modo
clinicamente relevante (manutenção de T2* gt; 20 ms) durante 1 ano
de observação, embora houvesse significante exposição a transfusões
sanguíneas.

Farmacocinética

Absorção

O Deferasirox (substância ativa deste medicamento) é absorvido
após administração oral com um tempo mediano para a concentração
plasmática máxima (tmáx) de aproximadamente 1,5 a 4
horas. A biodisponibilidade absoluta (AUC) do Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) de Deferasirox (substância
ativa deste medicamento) comprimidos é de aproximadamente 70%
comparada a uma dose intravenosa. A exposição total (AUC) foi
aproximadamente dobrada quando administrado junto com um desjejum
gorduroso (conteúdo de gordura gt; 50% das calorias), e por
aproximadamente 50% quando administrado junto com um desjejum
convencional.

A biodisponibilidade (AUC) do Deferasirox (substância ativa
deste medicamento) foi moderadamente elevada (aproximadamente 13 a
25%) quando administrado 30 minutos antes das refeições com
conteúdo normal ou alto de gordura. A exposição total (AUC) do
Deferasirox (substância ativa deste medicamento) após administração
dos comprimidos dispersos em suco de laranja ou maçã foi
equivalente à exposição total (AUC) obtida após administração dos
comprimidos de Deferasirox (substância ativa deste medicamento)
dispersos na água (razões relativas de AUC foram de 103% e 90%,
respectivamente).

Distribuição

O Deferasirox (substância ativa deste medicamento) tem alta
afinidade por proteínas plasmáticas (99%), quase exclusivamente
pela albumina sérica, e tem um pequeno volume de distribuição, de
aproximadamente 14 L em adultos.

Biotransformação

A glucuronidação é a principal via de metabolização do
Deferasirox (substância ativa deste medicamento), com subsequente
excreção biliar. Parece ocorrer desconjugação de glucuronidatos no
intestino e subsequente reabsorção (ciclo entero-hepático). O
Deferasirox (substância ativa deste medicamento) é glucuronizado
principalmente por UGT1A1 e, em um menor grau, por UGT1A3. O
metabolismo oxidativo via CYP450 parece ter importância menor no
metabolismo do Deferasirox (substância ativa deste medicamento) em
humanos (8%). Não foi observada inibição do metabolismo in vitro do
Deferasirox (substância ativa deste medicamento) por hidroxiureia.
O Deferasirox (substância ativa deste medicamento) sofre reciclagem
entero-hepática. Em estudo com voluntários sadios, a administração
de colestiramina após uma dose única de Deferasirox (substância
ativa deste medicamento) resultou em diminuição de 45% na exposição
(AUC) de Deferasirox (substância ativa deste medicamento).

Eliminação

O Deferasirox (substância ativa deste medicamento) e seus
metabólitos são excretados principalmente nas fezes (84% da
dose).

A excreção renal do Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) e de seus metabólitos é mínima (8% da dose). A média
da meia-vida de eliminação (t1/2) variou de 8 a 16 horas.

Linearidade/não linearidade

A Cmáx e a AUC0-24h do Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) aumentam de forma linear com
doses abaixo das condições em estado de equilíbrio. A exposição em
múltiplas dosagens aumentou linearmente a Cmáx com um
fator de acúmulo de 1,3 a 2,3.

Pacientes pediátricos

A exposição total em adolescentes (12 a lt; 17 anos) e crianças
(2 a lt; 12 anos) ao Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) após doses únicas ou múltiplas, foi menor do que em
pacientes adultos. Em crianças menores de 6 anos, a exposição à
droga é aproximadamente 50% menor do que em adultos. Como a dosagem
é individualmente ajustada de acordo com a resposta à terapia, não
são esperadas consequências clínicas.

Sexo

Mulheres têm um clearance (depuração) discretamente
menor (aproximadamente 17,5%) para Deferasirox (substância ativa
deste medicamento) comparadas aos homens. Como a dosagem é
individualmente ajustada de acordo com a resposta à terapia, não
são esperadas consequências clínicas.

Pacientes idosos

A farmacocinética do Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) não foi estudada em pacientes idosos (com 65 anos ou
mais).

Insuficiência renal e hepática

A farmacocinética do Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) não foi estudada em pacientes com insuficiência renal.
A AUC média de Deferasirox (substância ativa deste medicamento) em
6 indivíduos com insuficiência hepática leve (Child-Pugh A)
aumentou 16% em relação àquela encontrada em 6 indivíduos com
função hepática normal, enquanto que a AUC média de Deferasirox
(substância ativa deste medicamento) em 6 indivíduos com
insuficiência hepática moderada (Child-Pugh B) aumentou 76% em
relação ao encontrado em 6 indivíduos com função hepática
normal.

A Cmáx média de Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) em indivíduos com disfunção hepática leve ou moderada
aumentou 22% em relação ao encontrado em indivíduos com função
hepática normal. O impacto da insuficiência hepática grave
(Child-Pugh C) foi avaliado em apenas um indivíduo.

A farmacocinética do Deferasirox (substância ativa deste
medicamento) não foi influenciada por níveis de transaminases
hepáticas até 5 vezes o limite superior para a idade.

Dados de segurança pré-clínicos

Os dados pré-clínicos não revelam riscos especiais para
pacientes com sobrecarga de ferro, baseados em estudos
convencionais de segurança farmacológica, toxicidade de dose
repetida, genotoxicidade ou potencial carcinogênico. Os principais
achados foram toxicidade renal e opacidade do cristalino
(catarata). Achados similares foram observados em animais neonatos
e jovens. A toxicidade renal é considerada principalmente devido à
privação de ferro em animais que não tinham, previamente,
sobrecarga de ferro.

O potencial de toxicidade para reprodução foi avaliado em ratos
e coelhos. Em ratos sem sobrecarga de ferro e submetidos a altas
doses de Deferasirox (substância ativa deste medicamento), a
medicação não mostrou efeito teratogênico, mas causou frequência
aumentada de prematuridade e variações esqueléticas em ratos
recém-natos. O Deferasirox (substância ativa deste medicamento) não
causou outros efeitos na fertilidade ou reprodução.

Syderotelos, Bula extraída manualmente da Anvisa.

Remedio Para – Indice de Bulas A-Z.

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