Alfaepoetina Humana Recombinante Bula

Alfaepoetina Humana Recombinante

Também é indicada no tratamento de anemia associado ao câncer e
utilização de quimioterápicos, anemia em portador de AIDS submetido
ao AZT, em procedimentos pré e perioperatórios, em doenças
crônico-degenerativas (artrite-reumatóide).

Contraindicação do Alfaepoetina Humana
Recombinante

Este medicamento não deve ser administrado em casos conhecidos
de hipersensibilidade à alfaepoetina humana recombinante, albumina
sérica humana ou produtos derivados de células de mamíferos.
Medicamento contraindicado para menores de 18 anos de idade.

Como usar o Alfaepoetina Humana
Recombinante

A dose inicial recomendada é 25-50 U.I./Kg três vezes por
semana, por via intravenosa ou subcutânea, com a recomendação de se
iniciar o tratamento com a dose menor desta faixa. A dose e a
freqüência devem ser ajustadas de acordo com a resposta do
paciente. A hemoglobina deve ser analisada, no mínimo, 1-2 vezes
por semana até que se atinja um valor estável de 10-12 g/dl e se
estabeleça uma dose de manutenção para ‘Tratamentos prolongados’.
Quando se usa em diálises, deve-se administrar depois de realizada
a diálise.
Os níveis de ferro devem ser analisados antes e durante o
tratamento. Em caso de deficiência de ferro pode-se administrar
ferro por via oral ou intravenosa. As reservas de ferro podem
abaixar de forma rápida ao iniciar o tratamento e normalmente, o
nível de ferro-ferritina deve ser mantido por volta de 100ng/ml,
antes e durante o tratamento.
Se a hemoglobina do paciente crescer muito rapidamente (por volta
de 2g/dl por semana), o tratamento com alfaepoetina deve ser
reduzido ou suspenso e reiniciado com doses menores, quando
reestabelecidos os níveis desejados.
Antes de iniciar o tratamento, devem ser descartadas outras causas
de anemia (deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, intoxicação
com alumínio, deficiência de ferro, infecções, etc), caso
contrário, a eficiência da alfaepoetina não pode ser garantida.
Para o tratamento inicial, quando for necessário, a dose deverá ser
aumentada de 15-25 U.I./kg três vezes por semana, com intervalos de
2 semanas, ou melhor, depois de duas semanas do tratamento inicial,
a 40-55 U.I./Kg três vezes por semana, e se necessário aumentar,
chegar a 60-75 U.I. /Kg até atingir a um nível ótimo de hemoglobina
de 10-12 g/dl (hematócrito 30-35%).
O limite máximo da dose deste medicamento, de 225 U.I./Kg por
semana, não deve nunca ser ultrapassada sem serem analisados
previamente outros fatores que possam contribuir para a falta de
resposta da eritropoiese. Os pacientes com medula óssea funcional,
reservas de ferro e isenta de infecções, normalmente respondem ao
tratamento com 50 U.I./Kg (ou menos) três vezes por semana e chegam
aos níveis esperados em 3-6 semanas.

Tratamento prolongado:
Recomenda-se uma dose média de manutenção de 60-100 U.I./Kg por
semana, dividida em 2 a 3 doses.
Uma vez que a dose para o tratamento for estabelecida, o
hematócrito/hemoglobina deve ser analisado semanalmente. Se a
resposta hematológica indica a necessidade de uma dose de
tratamento que exceda a 100-125 U.I./Kg por semana, deve-se
analisar detalhadamente o nível de ferro, perda de sangue,
condições inflamatórias, infecções, excesso de alumínio e outras
causas de dimunuição / destruição das células (hipoplasia) da
medula óssea e então somente assim a dose de alfaepoetina poderá
ser aumentada em níveis gradativos de 15-25 U.I./Kg por dose
durante um período de 3-4 semanas, sob a supervisão de um médico.
Não recomenda-se exceder 200 U.I./Kg três vezes por semana. Em
pacientes com estoque reduzido de ferro, ou com infecções, ou com
intoxicação por alumínio, o efeito da alfaepoetina pode ser
retardado ou reduzido.

Precauções do Alfaepoetina Humana
Recombinante

Em pacientes com pressão alta incontrolável, com problemas de
anemia local devido a alguma obstrução mecânica (isquemia) e/ou
antecedentes de convulsões e perda da memória, este medicamento
deverá ser administrado com extremo cuidado, e somente com
monitoração clínica rigorosa, incluindo evidência de aumento da
pressão alta.
Durante o tratamento com alfaepoetina, deve ser controlada a
pressão arterial, os eletrólitos do sangue, as plaquetas e a
hemoglobina. As plaquetas podem crescer moderadamente durante o
tratamento inicial. Se a pressão arterial começar a crescer,
eventualmente acompanhada de dor de cabeça, deve-se realizar um
tratamento agressivo para combater a pressão alta.
Os pacientes com dificuldade para controlar a pressão arterial
devem ser tratados clinicamente até que adquiram um adequado
controle da pressão sanguínea.
Durante o tratamento com este medicamento, a hemoglobina deve ser
controlada, ao menos 1-2 vezes por semana, até que atinja um nível
estável de 10-12 g/dl. Uma vez que a hemoglobina se estabilize a um
valor desejado, deve ser controlada semanalmente. Durante o
tratamento da anemia, pode ocorrer aumento do apetite associado a
um aumento do potássio. Se durante a diálise se
observar a um aumento anormal de potássio circulante no sangue,
deve-se ajustar a dieta e o regime de diálise. Se houver aumento da
viscosidade sangüínea devido a um aumento da massa circulante de
glóbulos vermelhos, pode ser requerido um acréscimo na demanda de
heparina.

Reações Adversas do Alfaepoetina Humana
Recombinante

Os dados que se dispõe atualmente indicam que este produto é, em
geral, bem tolerado. Os efeitos adversos que foram descritos não
são necessariamente atribuídos à terapia com alfaepoetina. Têm- se
descrito como efeito secundário: pressão alta, possibilidade de
coagulação dentro de um vaso sanguíneo (trombose), sintomas de
gripe, aumento anormal de potássio circulante no sangue
(hipercalemia).

População Especial do Alfaepoetina Humana
Recombinante

– Uso durante a gravidez e lactação:
Durante a gestação e lactação, este medicamento deverá ser
administrado somente em casos de extrema necessidade. Não se tem
conhecimento dos efeitos da administração de alfaepoetina durante
este período sobre o feto ou recém-nascido, ou sobre a capacidade
reprodutiva.

– Uso para pessoas de mais de 65 anos de idade:
Não foi estabelecida a segurança e eficácia de Alfaepoetina
Recombinante Humana em idosos.

– Crianças:
Não foi estabelecida a segurança e eficácia de Alfaepoetina
Recombinante Humana em crianças.

Superdosagem do Alfaepoetina Humana Recombinante

Deve-se encaminhar o paciente imediatamente ao hospital para
receber tratamento adequado, levando consigo a embalagem do
medicamento.

Interação Medicamentosa do Alfaepoetina Humana
Recombinante

Embora Alfaepoetina (substância ativa) normalmente não reaja com
outros medicamentos, informe seu médico se você estiver usando ou
tenha recentemente usado alguma outra medicação.

Se você estiver tomando um fármaco (medicamento) conhecido por
ciclosporina (para suprimir seu sistema imune após um transplante),
seu médico deve solicitar testes sanguíneos especiais para
verificar os níveis de ciclosporina enquanto você estiver
utilizando Alfaepoetina (substância ativa).

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Alfaepoetina – Fiocruz.

Ação da Substância Alfaepoetina Humana Recombinante

Resultado de Eficácia


Foram realizados dois estudos clínicos para a avaliação do
efeito terapêutico e da farmacocinética do uso intravenoso e
subcutâneo da Alfaepoetina (substância ativa) no tratamento da
anemia associada à insuficiência renal crônica. O primeiro estudo
teve como objetivo caracterizar a farmacocinética do medicamento,
avaliar seu efeito terapêutico no tratamento da insuficiência renal
crônica terminal (IRCT) e determinar a tolerância e surgimento de
eventos adversos pela sua administração. Para o cumprimento desses
objetivos, realizou-se um ensaio clínico fase I-IIa, prospectivo,
aberto, com um único grupo submetido ao tratamento durante 16
semanas. A dose inicial utilizada foi de 50 UI/kg, três vezes por
semana, por via intravenosa. Foram selecionados 25 pacientes
com IRCT em hemodiálise ou diálise peritoneal, com diagnóstico de
anemia com valores de hematócrito ≤ 28% e de hemoglobina ≤ 9,5 g/dl
e idade entre 18 e 70 anos. Para avaliação da farmacocinética, as
variáveis primárias analisadas foram t1/2, AUC, MRT, Vc, CL,
Cmáx e, para avaliação de seu efeito terapêutico, os
níveis de hematócrito, hemoglobina (semanal) e número de
transfusões de sangue durante o tratamento. A avaliação da
tolerância dos efeitos adversos foi verificada através de exames
laboratoriais, parâmetros bioquímicos e clínicos.

Os resultados encontrados mostraram que 92% dos pacientes
tratados com a Alfaepoetina (substância ativa) alcançaram o
hematócrito alvo em 12 semanas de tratamento. Obteve-se um aumento
global médio de hematócrito de 9,5% e de hemoglobina de 2,7 g/dl
nas 16 semanas de tratamento. Não houve necessidade de transfusões
por anemia associada a IRCT, a não ser para reposição sangüínea por
perda aguda em virtude de cirurgia ou acidente dialítico. Houve
reações adversas moderadas, sendo que o aumento da hipertensão
arterial preexistente foi controlado em todos os casos com aumento
das doses dos fármacos anti-hipertensivos. As características
farmacocinéticas deste produto foram similares às reportadas para
moléculas comerciais de Alfaepoetina (substância
ativa)1.

O segundo estudo teve como objetivo avaliar a segurança e
eficácia clínica da administração por via subcutânea do medicamento
no tratamento da anemia associada à insuficiência renal crônica.
Foi realizado um estudo clínico em 24 pacientes com insuficiência
renal crônica terminal em hemodiálise ou diálise peritoneal, com
diagnóstico de anemia com valores de hematócrito ≤ 28% e idade
superior a 18 anos. A dose inicial utilizada foi de 20 UI/kg, três
vezes por semana, por via subcutânea após sessão de hemodiálise.
Para a avaliação do efeito terapêutico, as variáveis analisadas
foram hematócrito, hemoglobina e número de transfusões de sangue
durante o tratamento. A avaliação da tolerância dos efeitos
adversos foi verificada através de registro em banco de dados. Os
resultados encontrados mostraram que 88,88% dos pacientes tratados
com Alfaepoetina (substância ativa) alcançaram o hematócrito alvo
(30 – 36%) durante as 12 semanas de tratamento. As necessidades
transfusionais se reduziram de 94% antes do uso do medicamento a
14% depois de 12 semanas. Houve reações adversas moderadas, sendo
que o aumento da hipertensão arterial preexistente foi controlado
em todos os casos com aumento das doses dos fármacos
anti-hipertensivos2 .

Foi realizado um estudo fase IV, multicêntrico, aberto, com o
objetivo de avaliar efetividade e segurança do uso da Alfaepoetina
(substância ativa), na correção de anemia observada no curso de
quimio ou radioterapia, em pacientes oncológicos pediátricos (faixa
etária entre 1 e 17 anos). Foram incluídos 157 pacientes, tratados
por um período de 8 semanas, com as apresentações de 2.000 UI e
4.000 UI, na posologia semanal de 600 UI/kg, via endovenosa, ou 150
UI/kg, 3 vezes por semana, por via subcutânea. Admitiu-se um
incremento até 900 UI/kg semanal, via endovenosa ou 300 UI/kg, 3
vezes por semana, via subcutânea, na quarta semana de tratamento,
caso não houvesse aumento nos níveis de hemoglobina (Hb) em pelo
menos 1,0 g/dl, com relação ao valor inicial. Valores de Hb e
hematócrito (Ht) foram analisados, no momento basal e nas semanas 4
e 8 de tratamento, e a ocorrência de eventos adversos foi
mensurada. Dos 157 pacientes incluídos, 12 interromperam o
tratamento antes do final do estudo por apresentarem níveis de Hb ≥
14,0 g/dl. Estes foram considerados como êxito terapêutico e
incluídos na avaliação da resposta terapêutica (desfecho primário),
onde o denominador considerado constituiu-se por um total de 125
pacientes. Observou-se um aumento ≥ 1,5 g/dl nos valores de Hb (com
relação aos valores basais) em 68,8% dos pacientes (IC 95%: 60,7 –
76,9%). O desfecho primário de efetividade também foi avaliado de
acordo com a via de administração do medicamento. O incremento de
1,5 g/dl no valor de hemoglobina, na 8ª semana de tratamento,
comparativamente aos valores iniciais, ocorreu em 61,4% (IC 95%:
50,0 – 72,8 %) dos pacientes que receberam o medicamento por via
endovenosa e em 78,2% (IC 95%: 67,3 – 89,1%) dos pacientes que
receberam o medicamento por via subcutânea. Com relação à
necessidade de transfusão (desfecho secundário), a proporção de
pacientes que receberam transfusão, no início do estudo, era igual
a 58%. Após 8 semanas de tratamento, este percentual caiu para
42,7%³.

Referências Bibliográficas

1. Ohls RK, et al.
Pharmacokinetics and effectiveness of recombinant erythropoietin
administered to preterm infants by continuous infusion in total
parenteral nutrition solution. J Pediatr 1996; 128: 518-23. (PubMed
id: 8618186).
2. Ballin A, et al. Erythropoietin, given enterally,
stimulates erythropoiesis in premature infants. Lancet 1999; 353:
1849. (PubMed id: 10359412).
3. Juul SE. Enterally dosed recombinant human erythropoietin does
not stimulate erythropoiesis in neonates. J Pediatr 2003; 143:
321-6. (PubMed id: 14517513).
4. McKoy JM, et al. Eoetin-associated pure red cell
aplasia: past, present, and future considerations. Transfusion
2008; 48(8): 1754-62 (PubMed id: 18482185).
5. Pollock C, et al. Pure Red Cell Aplasia Indeced by
Erythropoiesis-Stimulating Agentes. Clin J Am Soc Nephrol 3:
193-199, 2008. (Pubmed id: 18178785).
6. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Aplasia Pura
Adquirida Crônica da Série Vermelha Portaria SAS/MS no 227, de 10
de maio de 2010.

Características
Farmacológicas


A Alfaepoetina (substância ativa) é uma glicoproteína produzida
pelo rim, mais precisamente pelas células adjacentes aos túbulos
proximais renais; sua produção é estimulada por hipóxia. Ela atua
como fator hormonal de estimulação mitótica e de
diferenciação, aumentando a formação de eritrócitos maduros a
partir das células progenitoras eritróides. A Alfaepoetina
(substância ativa) contém 165 aminoácidos e é obtida por tecnologia
de DNA recombinante. Possui um peso molecular de 34.000 Dalton e é
produzida em células CHO (células de ovário de hamster chinês) nas
quais o gene da Alfaepoetina (substância ativa) humana foi
inserido. O produto contém uma sequência de aminoácidos idêntica à
da Alfaepoetina (substância ativa) natural.

T1/2 = 5,21 h.
CL = 0.47 l/h.
AUC = 8967,42 mUI*h/ml.
Vc = 3,24 l.
MRT = 7,58 h.
Co = 1766,12 mUI/ml.

Pacientes com insuficiência renal crônica

A produção endógena de Alfaepoetina (substância ativa)
normalmente é regulada pelo nível de oxigenação dos tecidos. A
hipóxia e a anemia geralmente incrementam a produção de
Alfaepoetina (substância ativa), que, por sua vez, estimula a
eritropoiese.

Em pessoas normais, os níveis plasmáticos de Alfaepoetina
(substância ativa) oscilam num intervalo entre 10 e 30mUI/mL e
podem ser incrementados até 100 vezes durante períodos de hipóxia
ou anemia. No entanto, em pacientes com insuficiência renal
crônica, a produção de Alfaepoetina (substância ativa) endógena é
deficiente e ainda que a patogenia da anemia nestes pacientes seja
multifatorial, esta deficiência é a causa primária.

A insuficiência renal crônica é a situação clínica na qual
ocorre uma diminuição progressiva e geralmente irreversível da
função renal e a anemia se apresenta como sequela desta disfunção.
Os pacientes em estágio final de insuficiência renal requerem
diálise ou transplante para a sua sobrevida. Foi demonstrado que a
Alfaepoetina (substância ativa) estimula a eritropoiese em
pacientes anêmicos, tanto os que se submetem à diálise quanto os
que não o fazem regularmente.

A primeira evidência de resposta à Alfaepoetina (substância
ativa) é o incremento na contagem de reticulócitos nos primeiros 10
dias de tratamento, seguido de um incremento na contagem de
eritrócitos, hemoglobina e hematócrito, geralmente nas 2-6 semanas
seguintes.

Uma vez alcançada a meta proposta de hematócrito (33%-36%), este
nível deve ser mantido, se não existir deficiência de ferro ou
outra doença concomitante.

Pacientes com câncer

A Alfaepoetina (substância ativa) é uma glicoproteína
responsável pela estimulação da formação de eritrócitos, atuando
como fator hormonal de estimulação mitótica e diferenciação e
aumentando a formação de eritrócitos a partir dos precursores do
compartimento celular de origem.

A anemia é frequentemente um sintoma concomitante em pacientes
com câncer. A origem depende de uma combinação de fatores, onde os
efeitos tóxicos diretos dos agentes quimioterápicos utilizados
desempenham um papel importante. Nestes pacientes, a resposta ao
tratamento com Alfaepoetina (substância ativa) também depende do
nível endógeno da Alfaepoetina (substância ativa). Pacientes com
nível endógeno superior a 200mUI/mL não respondem ao
tratamento.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Alfaepoetina – Fiocruz.

Dizeres Legais do Alfaepoetina Humana
Recombinante

Satoro Tabuchi – CRF-SP n° 4.931

Alfaepoetina-Humana-Recombinante, Bula extraída manualmente da Anvisa.

Remedio Para – Indice de Bulas A-Z.

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