Aldneo Bula

Aldneo

  • Hipertensão essencial;
  • Distúrbios edematosos, tais como: edema e ascite da
    insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática e síndrome
    nefrótica;
  • Edema idiopático;
  • Terapia auxiliar na hipertensão maligna;
  • Hipopotassemia quando outras medidas forem consideradas
    impróprias ou inadequadas;
  • Profilaxia da hipopotassemia e hipomagnesemia em pacientes
    tomando diuréticos, ou quando outras medidas forem inadequadas ou
    impróprias;
  • Diagnóstico e tratamento do hiperaldosteronismo primário e
    tratamento pré-operatório de pacientes com hiperaldosteronismo
    primário.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone. 

Contraindicação do Aldneo

Espironolactona é contraindicada a pacientes
com:

  • Insuficiência renal aguda, diminuição significativa da função
    renal, anúria;
  • Doença de Addison;
  • Hipercalcemia;
  • Hipersensibilidade conhecida à Espironolactona (substância
    ativa);
  • Uso concomitante de eplerenona.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone.

Como usar o Aldneo

Para adultos, a dose diária pode ser administrada em doses
fracionadas ou em dose única.

Hipertensão Essencial

Dose usual de 50mg/dia a 100 mg/dia, que nos casos resistentes
ou graves pode ser gradualmente aumentada, em intervalos de 2
semanas, até 200 mg/dia. O tratamento deve ser mantido por no
mínimo 2 semanas para garantir uma resposta adequada ao tratamento.
A dose deverá ser ajustada conforme necessário.

Doenças Acompanhadas por Edema

A dose diária pode ser administrada tanto em doses fracionadas
como em dose única.

Insuficiência Cardíaca Congestiva

É recomendado administrar uma dose inicial diária de 100mg de
Espironolactona (substância ativa), administrada em dose única ou
dividida, podendo variar entre 25 e 200mg diariamente. A dose
habitual de manutenção deve ser determinada para cada paciente.

Cirrose Hepática

Se a relação sódio urinário/potássio urinário (Na+ / K+) for
maior que 1,0 (um), a dose usual é de 100 mg/dia. Se essa relação
for menor do que 1,0 (um), a dose recomendada é de 200mg/dia a 400
mg/dia. A dose de manutenção deve ser determinada para cada
paciente.

Síndrome Nefrótica

A dose usual em adultos é de 100mg/dia a 200 mg/dia. A
Espironolactona (substância ativa) não demonstrou afetar o processo
patológico básico, e seu uso é aconselhado somente se outra terapia
for ineficaz.

Edema Idiopático

A dose habitual é de 100 mg por dia.

Edema em Crianças

A dose diária inicial é de aproximadamente 3,3 mg por /kg de
peso administrada em dose fracionada. A dosagem deverá ser ajustada
com base na resposta e tolerabilidade do paciente. Se necessário
pode ser preparada uma suspensão triturando os comprimidos de
Espironolactona (substância ativa) com algumas gotas de glicerina e
acrescentando líquido com sabor. Tal suspensão é estável por um mês
quando mantida em local refrigerado.

Hipopotassemia / hipomagnesemia

25 mg/dia a 100 mg/dia é útil no tratamento da hipopotassemia
e/ou hipomagnesemia induzida por diuréticos, quando suplementos
orais de potássio e/ou magnésio forem considerados inadequados.

Diagnóstico e Tratamento do Hiperaldosteronismo
Primário

A Espironolactona (substância ativa) pode ser empregada como uma
medida diagnóstica inicial para fornecer evidência presuntiva de
hiperaldosteronismo primário enquanto o paciente estiver em dieta
normal.

Teste a longo prazo

Dose diária de 400mg por 3 ou 4 semanas. A correção da
hipopotassemia e da hipertensão revelam a evidência presuntiva para
o diagnóstico de hiperaldosteronismo primário.

Teste a curto prazo

Dose diária de 400mg por 4 dias. Se o potássio sérico se eleva
durante a administração de Espironolactona (substância ativa),
porém diminui quando é descontinuado, o diagnóstico presuntivo de
hiperaldosteronismo primário deve ser considerado.

Tratamento Pré-operatório de Curto Prazo de
Hiperaldosteronismo Primário

Quando o diagnóstico de hiperaldosteronismo for bem estabelecido
por testes mais definitivos, Espironolactona (substância ativa)
pode ser administrada em doses diárias de 100 mg a 400 mg como
preparação para a cirurgia. Para pacientes considerados inaptos
para cirurgia, Espironolactona (substância ativa) pode ser
empregada como terapia de manutenção em longo prazo, com o uso da
menor dose efetiva individualizada para cada paciente.

Hipertensão Maligna

Somente como terapia auxiliar e quando houver excesso de
secreção de aldosterona, hipopotassemia e alcalose metabólica. A
dose inicial é de 100 mg/dia, aumentada quando necessário a
intervalos de duas semanas para até 400 mg/dia. A terapia inicial
pode incluir também a combinação de outros fármacos
anti-hipertensivos à Espironolactona (substância ativa). Não
reduzir automaticamente a dose dos outros medicamentos como
recomendado na hipertensão essencial.

Espironolactona (substância ativa) não deve ser partido,
aberto ou mastigado.

Dose omitida

Caso o paciente esqueça-se de tomar Espironolactona (substância
ativa) no horário estabelecido, deve fazê-lo assim que lembrar.
Entretanto, se já estiver perto do horário de administrar a próxima
dose, deve desconsiderar a dose esquecida e utilizar a próxima.
Neste caso, o paciente não deve tomar a dose duplicada para
compensar doses esquecidas. O esquecimento de dose pode comprometer
a eficácia do tratamento.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone. 

Precauções do Aldneo

O uso concomitante de Espironolactona (substância ativa) e
outros diuréticos poupadores de potássio, inibidores da ECA (enzima
conversora de angiotensina), medicamentos anti-inflamatórios
não-esteroides, antagonistas da angiotensina II, bloqueadores da
aldosterona, heparina, heparina de baixo peso molecular, ou outras
drogas ou condições conhecidas que possam causar hiperpotassemia,
suplementos de potássio, uma dieta rica em potássio ou substitutos
do sal contendo potássio podem levar à hiperpotassemia grave.

É aconselhável realizar uma avaliação periódica dos eletrólitos
séricos, tendo em vista a possibilidade de hiperpotassemia,
hiponatremia e uma possível elevação transitória da ureia sérica
especialmente em pacientes idosos e/ou com distúrbios preexistentes
da função renal ou hepática.

Acidose metabólica hiperclorêmica reversível, usualmente em
associação com hiperpotassemia, foi relatada em alguns pacientes
com cirrose hepática descompensada, mesmo quando a função renal é
normal.

Hiperpotassemia em pacientes com Insuficiência Cardíaca
Grave

Hiperpotassemia pode ser fatal. É crítico monitorar e controlar
os níveis séricos de potássio em pacientes com insuficiência
cardíaca grave recebendo Espironolactona (substância ativa). Evitar
o uso de outros diuréticos poupadores de potássio. Evitar uso de
suplementos orais de potássio em pacientes com o potássio sérico
gt; 3.5 mEq/L.

A recomendação de monitoramento de potássio e creatinina é uma
semana após início ou aumento da dose de Espironolactona
(substância ativa), mensalmente após os três primeiros meses e a
cada quatro meses, por um ano e após, a cada 6 meses.

Descontinuar ou interromper o tratamento se potássio sérico gt;
5 mEq/L ou se a creatinina sérica gt; 4 mg/dL.

Fertilidade, Gravidez e Lactação

A Espironolactona (substância ativa) não apresentou efeitos
teratogênicos em camundongos. Coelhos que receberam Espironolactona
(substância ativa) apresentaram taxa de concepção reduzida, aumento
da taxa de reabsorção e número menor de nascimentos vivos.

Nenhum efeito embriotóxico foi observado em ratos aos quais
houve administração de altas doses de Espironolactona (substância
ativa), no entanto, houve relato de hipoprolactinemia limitada e
relacionada à dose, assim como diminuição dos pesos da próstata
ventral e da vesícula seminal em machos e aumento da secreção de
hormônio luteinizante e dos pesos ovarianos e uterino em fêmeas.
Feminização da genitália externa em fetos masculinos foi relatada
em outro estudo em ratos.

Não há estudos em mulheres grávidas. A Espironolactona
(substância ativa) deve ser usada durante a gravidez somente se o
potencial benéfico justificar o risco potencial para o feto.

A canrenona, um metabólito ativo e principal da Espironolactona
(substância ativa), aparece no leite materno. Devido a muitos
fármacos serem excretados no leite materno e devido ao desconhecido
potencial para eventos adversos sobre o lactante, uma decisão deve
ser tomada em relação à descontinuação do tratamento levando-se em
conta a importância do fármaco para a mãe.

A Espironolactona (substância ativa) é lassificado na
categoria C de risco de gravidez. Portanto, este medicamento não
deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou
do cirurgião-dentista.

Efeitos na Capacidade de Dirigir e Operar
Máquinas

Sonolência e tontura ocorrem em alguns pacientes. É recomendada
precaução ao dirigir ou operar máquinas até que a resposta inicial
ao tratamento seja determinada.

Espironolactona (substância ativa) pode causar
doping.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone. 

Reações Adversas do Aldneo

As seguintes reações adversas foram relatadas em
tratamento com Espironolactona:

Reações adversas por categoria de frequência de Sistema
de Classe de Órgãos e CIOMS listadas em ordem decrescente de
gravidade médica ou importância clínica e dentro de cada Sistema de
Classe de Órgãos e categoria de frequência:

Sistema de Classe de Órgãos

Muito Comum ≥ 1/10

Comum ≥ 1/100 a lt; 1/10

Incomum ≥ 1/1.000 a lt; 1/100

Raro ≥ 1/10.000 a lt; 1/1.000

Muito Raro lt; 1/10.000

Frequência Desconhecida (não pode ser estimada a partir
dos dados disponíveis)

Neoplasmas benignos, malignos e não específicos
(incluindo cistos e pólipos)

Neoplasma benigno de
mama (masculino)

Distúrbios do sistema sanguíneo e linfático

Agranulocitose,
leucopenia, trombocitopenia

Distúrbios metabólicos e nutricionais

Hiperpo tassemia Distúrbios
eletrolíticos

Distúrbios psiquiátricos

Estado de confusão
mental
Alteração na libido

Distúrbios do sistema nervoso

Tontura

Distúrbios gastrointestinais

Náusea Distúrbio
gastrointestinal

Distúrbios hepatobiliares

Função hepática
anormal

Distúrbios da pele e tecidos subcutâneos

Prurido,
rash
Urticária Necrólise epidérmica
tóxica (NET), síndrome de Stevens-Johnson (SJS), erupção ao
medicamento com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS),
alopecia, hipertricose

Distúrbios musculoesquelético e tecidos
conjuntivos

Espasmos musculares

Distúrbios renal e urinário

Insuficiência renal
aguda

Distúrbios do sistema reprodutivo e mamário

Ginecomastia, dor nas
mamas (masculino)a
Distúrbios menstruais,
dor nas mamas (feminino)b

Distúrbios gerais e condição no local de
administração

Mal-estar

Abreviações:

CDS = Core Data Sheet; CIOMS = Conselho de Organizações
Internacionais de Ciências Médicas; F = feminino; LLT = termo do
nível mais baixo; M = masculino; TP = termo preferido; WHO-ART =
Terminologia de Reações Adversas a Medicamentos da Organização
Mundial da Saúde.
a O termo dor mamária é mapeado a partir do CDS e a
frequência é derivada do termo dor mamária (M) da WHO-ART, no
entanto, a dor mamária no homem é o LLT.
b A dor mamária é o TP do CDS, e a frequência é derivada
do termo dor mamária (F) da WHO-ART.

Em casos de eventos adversos, notifique ao Sistema de
Notificações em Vigilância Sanitária – NOTIVISA ou para a
Vigilância Sanitária Estadual ou Municipal.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone. 

Interação Medicamentosa do Aldneo

O uso concomitante de medicamentos conhecidos por causar
hiperpotassemia com Espironolactona (substância ativa) pode
resultar em hiperpotassemia grave.

A Espironolactona (substância ativa) pode ter um efeito aditivo
quando administrada concomitantemente com outros diuréticos e
anti-hipertensivos. A dose desses fármacos deverá ser reduzida
quando Espironolactona (substância ativa) for incluída ao
tratamento.

A Espironolactona (substância ativa) reduz a resposta vascular à
norepinefrina. Devem ser tomados cuidados com a administração em
pacientes submetidos à anestesia enquanto esses estiverem sendo
tratados com Espironolactona (substância ativa).

Foi demonstrado que Espironolactona (substância ativa) aumenta a
meia-vida da digoxina.

Medicamentos anti-inflamatórios não-esteroides tais como ácido
acetilsalicílico (AAS), indometacina e ácido mefenâmico podem
atenuar a eficácia natriurética dos diuréticos devido à inibição da
síntese intrarrenal de prostaglandinas e foi demonstrado que
atenuam o efeito diurético da Espironolactona (substância
ativa).

A Espironolactona (substância ativa) aumenta o metabolismo da
antipirina.

A Espironolactona (substância ativa) pode interferir na análise
dos exames de concentração plasmática de digoxina.

Acidose metabólica hipercalêmica foi relatada em pacientes que
receberam Espironolactona (substância ativa) concomitantemente a
cloreto de amônio ou colestiramina.

Coadministração de Espironolactona (substância ativa) e
carbenoxolona pode resultar em eficácia reduzida de qualquer uma
dessas medicações.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone. 

Ação da Substância Aldneo

Resultados de Eficácia


Insuficiênca cardíaca grave

O Estudo Randomizado de Avaliação de Espironolactona (substância
ativa) (RALES1) foi um estudo multinacional, duplo-cego
em pacientes com fração de ejeção ≤35%, história de insuficiência
cardíaca classe IV da New York Heart Association (NYHA) de
6 meses e insuficiência cardíaca de Classe III-IV na época da
randomização. Todos os pacientes deveriam estar tomando um
diurético de alça e, se tolerado, um inibidor da ECA. Pacientes com
creatinina gt;2,5 mg/dL na linha de base ou um aumento recente de
25% ou com potássio sérico gt;5,0 mEq/L na linha de base foram
excluídos.

Os pacientes foram randomizados 1:1 para 25 mg de
Espironolactona (substância ativa) por via oral uma vez ao dia ou
ao placebo correspondente. Consultas de seguimento e avaliações
laboratoriais (incluindo potássio sérico e creatinina) foram
realizadas a cada quatro semanas durante as primeiras 12 semanas, a
seguir a cada 3 meses durante o primeiro ano e depois a cada 6
meses. A dosagem poderia ser retida para hipercalcemia grave ou se
a creatinina no soro aumentar para gt; 4,0 mg/dL. Os pacientes
tolerantes a um comprimido diário em 8 semanas poderiam ter sua
dose aumentada para dois comprimidos diários a critério do
investigador.

O RALES envolveu 1663 pacientes em 195 centros em 15 países
entre 24 de março de 1995 e 31 de dezembro de 1996. A população do
estudo foi principalmente de brancos (87% com 7% de negros , 2% de
asiáticos e 4% de outros), do sexo masculino (73%) e idosos (idade
média de 67 anos). A fração de ejeção média foi de 0,26%. Setenta
por cento eram de classe NYHA III e 29% da classe IV. A
etiologia presumida de insuficiência cardíaca foi isquêmica em 55%
e não-isquêmica em 45%. Havia histórico de infarto do miocárdio em
28%, de hipertensão em 24% e diabetes em 22%. A creatinina sérica
basal mediana foi de 1,2 mg/dL e o clearence médio de
creatinina de base era 57mL/mim. A dose diária média no final do
estudo para os pacientes randomizados foi de 26 mg de
Espironolactona (substância ativa).

Medicações concomitantes incluíram um diurético de alça em 100%
dos pacientes e uma ACE de inibidor em 97%. Outros medicamentos
usados em qualquer momento durante o estudo inclui digoxina (78%),
anticoagulantes (58%), ácido acetilsalicílico (43%) e
beta-bloqueadores (15%). O desfecho primário do estudo RALES foi o
tempo até o evento fatal de todas as causas. O RALES foi incluído
antecipadamente, após um acompanhamento médio de 24 meses, por
causa do benefício sobre a mortalidade detectado em uma análise
intermediária planejada. As curvas de sobrevida por grupo de
tratamento são demonstradas na Figura 1.

Figura 1. Sobrevida por grupo de tratamento no estudo
RALES:

A Espironolactona (substância ativa) reduziu o risco de morte em
30% comparado ao placebo (plt;0,001; intervalo de confiança de 95%
entre 18% a 40%). A Espironolactona (substância ativa) reduziu o
risco de morte cardíaca, a morte primariamente súbita e a morte por
insuficiência cardíaca progressiva em 31% comparado ao placebo
(plt;0,001; intervalo de confiança de 95%, entre 18% a 42%).

A Espironolactona (substância ativa) também reduziu o risco de
hospitalização por causas cardíacas (definidas como piora da
insuficiência cardíaca, angina, arritmias ventriculares ou infarto
do miocárdio) em 30% (plt;0,001, intervalo de confiança 95%, entre
18% a 41%). Alterações na classe NYHA foram mais favoráveis com a
Espironolactona (substância ativa); no grupo de
Espironolactona (substância ativa), a classe NYHA no final do
estudo melhorou em 41% dos pacientes e piorou em 38% comparado com
melhora em 33% e piora em 48% no grupo placebo (P lt; 0,001).

Os índices de risco de mortalidade para alguns subgrupos são
mostrados na Figura 2. O efeito favorável da Espironolactona
(substância ativa) na mortalidade se mostrou semelhante em ambos os
sexos e em todos os grupos etários, exceto em pacientes abaixo de
55 anos; não havia não brancos em número suficiente no estudo RALES
para obter qualquer conclusão sobre efeitos diferenciais por raça.
O benefício da Espironolactona (substância ativa) se mostrou maior
em pacientes com níveis de potássio sérico baixos na linha de base
e menor em pacientes com frações de ejeção lt;0,2. Estas análises
de subgrupo devem ser interpretadas com cautela.

Figura 2. Índices de risco de mortalidade por todas as
causas por subgrupos no Rales:

Figura 2: o tamanho de cada caixa é proporcional ao
tamanho da amostra e à frequência do evento. LVEF significa fração
de ejeção ventricular esquerda, Cr Clearance significa
clearance de creatinina e ser Creatinine
significa creatinina sérica e ACEI significa inibidor da enzima
conversora de angiotensina.

A eficácia e tolerância de longo prazo de Espironolactona
(substância ativa) na hipertensão essencial foram avaliadas entre
20.812 pacientes em um estudo prospectivo conduzido por Jeunemaitre
e cols2. Em pacientes tratados com
Espironolactona (substância ativa) sozinha durante um período de
acompanhamento médio de 23 meses, uma dose média de 96,5mg reduziu
a pressão sistólica e a pressão diastólica em respectivamente, 18 e
10 mmHg abaixo dos níveis pré-tratamento. A redução da pressão
arterial foi maior com doses de 75 a 100 mg (12,4% e 12,2%) do que
com doses de 25 a 50mg (5,3 e 6,5%, p lt;0,001). O nível de
creatinina plasmática aumentou modestamente (8,3μmol/litro), assim
como o nível de potássio plasmático (0,6mmol/litro) (ambos p
lt;0,001); o nível de ácido úrico aumentou, mas não
significativamente (10,5μmol/litro). Os níveis de glicose em jejum
e de colesterol total não mudaram, os níveis de triglicérides
aumentaram ligeiramente (0,1 mmol/litro, p lt;0,05). Estas
alterações foram semelhantes em ambos os sexos e não foram
influenciadas pela duração do acompanhamento. Os autores concluíram
que a Espironolactona (substância ativa) administrada na prática
diária reduziu a pressão arterial sem induzir efeitos adversos
metabólicos.

Nishizaka e cols3 avaliaram o benefício
anti-hipertensivo de adição de baixas doses de Espironolactona
(substância ativa) a regimes de múltiplos fármacos, que incluíram
um diurético e um inibidor da enzima conversora de angiotensina
(ECA) ou um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) em
pacientes com hipertensão resistente com e sem aldosteronismo
primário. A Espironolactona (substância ativa) em baixas doses foi
associada com uma redução média adicional da pressão arterial de 21
± 21/10 ± 14mmHg após 6 semanas e 25 ± 20/12 ± 12 mmHg no
acompanhamento de 6 meses. A redução da pressão arterial foi
semelhante em pacientes com e sem aldosteronismo primário e foi
aditiva ao uso de inibidores da ECA, BRAs e diuréticos. Os autores
concluíram que baixas doses de Espironolactona (substância ativa)
proporcionam uma redução aditiva significativa da pressão arterial
em pacientes afroamericanos e brancos com hipertensão resistente,
com e sem aldosteronismo primário.

Saruta e cols4 avaliaram 40 pacientes
pré-operatoriamente com aldosteronismo primário devido a adenoma
examinando a gravidade da hipertensão, história familiar de
hipertensão, idade dos pacientes, duração da hipertensão, atividade
da renina plasmática, concentração da aldosterona plasmática e
eficácia de Espironolactona (substância ativa) (100mg por dia por
10 dias) na pressão arterial. Em 30 dos 40 pacientes a pressão
arterial foi reduzida para menos de 160/95mmHg dentro de um ano
após adrenalectomia (respondedores). Em outros 10 pacientes, a
pressão arterial não foi reduzida marcadamente e permaneceu acima
de 160/95mmHg (não-respondedores).

Foi observada uma redução da pressão arterial média de mais de
15 mmHg após administração de Espironolactona (substância ativa) em
29 dos 30 respondedores. O outro único paciente apresentou uma
redução de 11 mmHg da pressão arterial média. Por outro lado,
nenhum dos não-respondedores mostrou uma redução da pressão
arterial média de mais de 15 mmHg após a administração de
Espironolactona (substância ativa). A partir destes resultados os
autores concluíram que a resposta pré-operatória da pressão
arterial à administração de 100 mg por dia de Espironolactona
(substância ativa) por 10 dias representa um indicador útil para o
prognóstico pós-operatório de hipertensão em pacientes com
aldosteronismo primário devido a adenoma.

Referências

1. Pitt B, Zannad F, Remme WJ, Cody
R, Castaigne A, Perez A, Palensky J, Wittes J. The effect of
spironolactone on morbidity and mortality in patients with severe
heart failure RALES study. N Engl J Med 1999;341:709-17.
2. Jeunemaitre X(1), Chatellier G, Kreft-Jais C, Charru A. Efficacy
and tolerance of spironolactone in essential hypertension. Am J
Cardiol. 1987 Oct 1;60(10):820-5.
3. Nishizaka M K, Zaman MA, Calhoun DA. Efficacy of low-dose
spironolactone in subjects with resistant hypertension. AJH
2003;16:925-930.
4. Saruta T, Suzuki H, Saito I, Murai M, Tazaki H. Pre-operative
evaluation of the prognosis of hypertension in primary
aldosteronism owing to adenoma. Acta Endocrinol (Copenh)
1987;116:229-234.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone. 

Características Farmacológicas


Propriedades Farmacodinâmicas

Mecanismo de Ação

A Espironolactona (substância ativa) é um antagonista
farmacológico específico da aldosterona, atuando principalmente no
local de troca de íons sódio-potássio dependente de aldosterona,
localizado no túbulo contornado distal do rim. A Espironolactona
(substância ativa) causa aumento das quantidades de sódio e água a
serem excretados, enquanto o potássio é retido. A Espironolactona
(substância ativa) atua como diurético e como anti-hipertensivo por
este mecanismo. Ela pode ser administrada sozinha ou com outros
agentes diuréticos que atuam mais proximamente no túbulo renal.

Atividade antagonista da aldosterona

Por aumento dos níveis de mineralocorticoides, a aldosterona
está presente no hiperaldosteronismo primário e secundário. Estados
edematosos em que o aldosteronismo secundário é usualmente
envolvido incluem a insuficiência cardíaca congestiva, cirrose
hepática e a síndrome nefrótica. Pela competição com a aldosterona
pelos receptores, a Espironolactona (substância ativa) promove uma
terapia eficaz no tratamento de edema e ascites nestas condições. A
Espironolactona (substância ativa) atua contra o aldosteronismo
secundário induzido pelo volume de depleção e associado com a perda
de sódio causado pela terapia diurética.

A Espironolactona (substância ativa) é efetiva na diminuição da
pressão sanguínea sistólica e diastólica em pacientes
com hiperaldosteronismo primário. É também efetiva na maioria
dos casos de hipertensão essencial apesar do fato da secreção de
aldosterona estar dentro dos limites normais no início da
hipertensão essencial.

A Espironolactona (substância ativa) não demonstrou elevar as
concentrações séricas de ácido úrico, precipitar crises de gota, ou
alterar o metabolismo dos carboidratos.

Propriedades Farmacocinéticas

A Espironolactona (substância ativa) é rápida e extensamente
metabolizada. Produtos contendo enxofre constituem os principais
metabólitos e acredita-se serem os principais responsáveis, junto à
Espironolactona (substância ativa), pelos efeitos terapêuticos do
medicamento. Os dados farmacocinéticos foram obtidos de 12
voluntários saudáveis que receberam 100mg de Espironolactona
(substância ativa) diariamente por 15 dias. No 15o, a
Espironolactona (substância ativa) apresentou resultados
imediatamente na coleta de sangue após um café da manhã de baixa
caloria.

 

Fator de Acumulação: AUC (0-24 horas, Dia 15)/AUC (0-24
horas, Dia 1)

Pico médico na Concentração Sérica

Média (SD) Meia-vida Pós-Estado de Repouso

7-α-(tiometil) Espironolactona

1,25 391 ng/mL às 3,2
horas
13,8 horas (6,4) (terminal)

6-β-hidroxi-7-α-(tiometil) Espironolactona

1,50 125 ng/mL às 5,1
horas
15,0 horas (4,0) (terminal)

Canrenona

1,41 181 ng/mL às 4,3
horas
16,5 horas (6,3) (terminal)

Espironolactona

1,30 80 ng/mL às 2,6
horas
Aproximadamente 1,4 horas (0,5) (β
meia-vida)

A atividade farmacológica dos metabólitos da Espironolactona
(substância ativa) no homem não é conhecida. Contudo, em ratos
adrenalectomizados, as atividades antimineralocorticoides dos
metabólitos cancerona (C), 7-α-(tiometil) Espironolactona
(substância ativa) (TMS) 6-β-hidroxi-7-α-(tiometil) Espironolactona
(substância ativa) (HTMS), relativos à Espironolactona (substância
ativa), foram 1,10, 1,28 e 0,32 respectivamente. Relativo à
Espironolactona (substância ativa), sua afinidade de ligação ao
receptor de aldosterona em lâmina de rim de rato foi 0,19, 0,86 e
0,06 respectivamente.

Em humanos, a potência do TMS e do 7-α-tioEspironolactona
(substância ativa) na reversão dos efeitos do mineralocorticoide
sintético, fludrocortisona, na composição eletrolítica urinária
foram 0,33 e 0,26 respectivamente, relativo à Espironolactona
(substância ativa). Contudo, visto que as concentrações
séricas deste esteroide não foram determinadas, sua incompleta
absorção e/ou metabolismo de primeira passagem não poderia ser
excluído como uma razão para sua reduzida atividade in
vivo
.

A Espironolactona (substância ativa) e seus metabólitos são mais
de 90% ligados a proteínas plasmáticas. Os metabólitos são
excretados primariamente na urina e secundariamente na bile.

O efeito de alimentos na absorção da Espironolactona (substância
ativa) foi avaliado em estudo de dose única em nove voluntários
saudáveis que não fazem uso de medicação. O alimento aumentou a
biodisponibilidade da Espironolactona (substância ativa) não
metabolizado por aproximadamente 100%. A importância clínica deste
achado não é conhecida.

Dados de Segurança Pré-Clínicos

Carcinogênese, mutagênese e diminuição da
fertilidade

A Espironolactona (substância ativa) administrada oralmente
demonstrou ser um tumorígeno em estudos de administração na dieta
realizados com ratos, com seus efeitos proliferativos manifestados
nos órgãos endócrinos e no fígado. Em estudo de 18 meses utilizando
doses de Espironolactona (substância ativa) de 50, 150 e
500mg/kg/dia, houve um aumento estatisticamente significativo em
adenomas benignos de tireoide e testículos e, em ratos machos, um
aumento relacionado à dose nas alterações proliferativas no fígado
(incluindo hepatomegalia e nódulos hiperplásicos). Em 1 estudo de
24 meses no qual a mesma espécie de ratos recebeu doses de 10, 30,
100 e 150mg/kg/dia de Espironolactona (substância ativa), a faixa
de efeitos proliferativos incluíram um aumento significativo de
adenomas hepatocelulares e células de tumor intersticial testicular
em machos, e um aumento significativo de células de adenoma
folicular na tireoide e carcinomas em ambos os sexos. Há aumento
estatisticamente significativo também, porém, não relacionado à
dose, em pólipos estruma endometrial uterino em fêmeas.

Foi observada incidência de leucemia mielocística relacionada à
dose (acima de 20mg/kg/dia), em ratos alimentados diariamente com
doses de canrenoato de potássio (um componente quimicamente similar
a Espironolactona (substância ativa) e cujo principal metabólito,
canrenona, é também um principal produto da Espironolactona
(substância ativa) no homem), por um período de um ano. Em estudos
de 2 anos em ratos, a administração oral de canrenoato de potássio
foi associada com leucemia mielocística e hepática, tireoide e
tumores testiculares e mamários.

Nem Espironolactona (substância ativa) ou canrenoato de potássio
produziram efeitos mutagênicos em testes utilizando bactérias ou
leveduras. Na ausência de ativação metabólica, nem Espironolactona
(substância ativa) ou canrenoato de potássio se mostraram
mutagênicos em testes mamários in vitro. Na presença de
ativação metabólica, foi relatado que a Espironolactona (substância
ativa) apresenta resultados negativos em alguns testes mutagênicos
mamários in vitro e inconclusivos (mas ligeiramente
positivo) para mutagenicidade em outros testes mamários in
vitro
. Na presença de ativação metabólica, canrenoato de
potássio tem sido reportado resultados positivos para
mutagenicidade em alguns testes mamários in vitro,
inconclusivo em alguns e negativo em outros.

Em um estudo de reprodução de três gerações no qual ratas fêmeas
receberam doses diárias de 15 e 50 mg/kg/dia de Espironolactona
(substância ativa), não houve efeitos no acasalamento e
fertilidade, mas houve um pequeno aumento na incidência de filhotes
natimortos com doses de 50 mg/kg/dia. Quando injetado em ratas
fêmeas (100 mg/kg/dia por 7 dias via intraperitoneal (i.p.)) de
Espironolactona (substância ativa), parece aumentar o comprimento
do ciclo estral pelo prolongamento diestro durante o tratamento e
induzindo constante diestro durante o período de observação
pós-tratamento de duas semanas. Estes efeitos foram associados ao
retardo do desenvolvimento do folículo ovariano e uma redução dos
níveis de estrógeno circulante, que poderia ser esperado prejudicar
o acasalamento, fertilidade e fecundidade. A Espironolactona
(substância ativa) (100mg/kg/dia), administrado via i.p. em
camundongos fêmeas durante um período de duas semanas de coabitação
com machos não tratados, diminuiu o número de concebimentos do
acasalamento (este efeito mostrou ser causado pela inibição da
ovulação) e diminuição do número de embriões implantados e daqueles
que se tornaram uma gravidez (este efeito mostrou ser causado por
uma inibição da implantação), e dose de 200mg/kg, também aumentou o
período de latência para o acasalamento.

Fonte: Bula do Profissional do
Medicamento Aldactone. 

Aldneo, Bula extraída manualmente da Anvisa.

Remedio Para – Indice de Bulas A-Z.

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