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Descubra 10 fatos sobre a cloroquina que você desconhecia

10 fatos sobre a hidroxicloroquina

Neste vídeo, foram apresentados 10 fatos sobre a hidroxicloroquina, com o objetivo de trazer informações relevantes sobre a substância, sem causar polêmicas ou incentivar o uso indevido do medicamento. Abaixo estão os fatos apresentados:

  1. A hidroxicloroquina e a cloroquina são originadas das aminoquinolinas e têm grandes semelhanças quanto ao seu uso clínico-farmacêutico. A cloroquina foi liberada para seu uso em 1949, enquanto a hidroxicloroquina foi liberada mais recentemente, em 1955. A grande diferença química entre suas moléculas é a adição do radical hidroxy, o que tornou a hidroxicloroquina 40% menos tóxica do que a cloroquina, segundo estudos feitos em animais. Suas doses terapêuticas e tóxicas também são diferentes.
  2. A hidroxicloroquina é segura se tomada em doses adequadas por via oral. No caso de administrações endovenosas, estudos revelaram concentrações plasmáticas transitoriamente altas e potencialmente fatais, com alto risco de toxicidade. A via oral permite índices de absorção e distribuição mais proporcionais.
  3. O mecanismo de ação exato da hidroxicloroquina ainda é incerto. Uma das propostas é que a droga afete a função dos lisossomos tanto em humanos como em parasitas unicelulares, como o plasmodium da malária. Sendo a base fraca, sua ação aumenta o pH intracelular com várias modificações específicas nas células parasitárias. O aumento do pH impede a digestão da hemoglobina, prevenindo seu crescimento normal e reprodução parasitária. Nas células humanas, essa alteração de pH inibe a apresentação de antígenos celulares, reduz a liberação de citocinas e diminui a resposta inflamatória celular.
  4. A cloroquina tem uma meia-vida de eliminação muito longa, de aproximadamente 22 dias. Isso significa que a cloroquina demora muito tempo para ser completamente eliminada do organismo, e é por esse motivo que alguns casos a medicação é tomada em posologia semanal.
  5. A hidroxicloroquina pode causar toxicidade ocular, sendo que a cloroquina está associada à retinopatia potencialmente reversível e opacidade corneana. Esses efeitos estão associados principalmente a altas doses e tratamentos de mais de cinco anos de duração. A maioria dos estudos indicou uma incidência pequena, de 0,38% a 1%, em pacientes com uso prolongado da medicação. Por isso, especialistas recomendam avaliação oftalmológica para usuários crônicos da medicação.
  6. A hidroxicloroquina pode causar toxicidade cardíaca e prolongar o intervalo QT no eletrocardiograma. Isso pode predispor ao desenvolvimento de arritmias cardíacas fatais, como por exemplo, taquicardias ventriculares polimórficas do tipo torçadas. Este é um efeito importante quando há efeito cumulativo de prolongamento do QT, principalmente causado por outras drogas associadas, como por exemplo, quando se associa hidroxicloroquina com Azitromicina.
  7. A hidroxicloroquina pode causar hipoglicemia grave, embora este efeito seja mais raro em pacientes diabéticos. A cloroquina pode aumentar os efeitos do tratamento hipoglicemiante, podendo ser necessário uma redução das doses de insulina ou drogas diabéticas, e até mesmo uma monitorização mais atenta da glicemia.
  8. A hidroxicloroquina tem vários usos clínicos consolidados e importantes em diversas doenças, como a situação anti-inflamatória na Artrite reumatoide e lúpus, e também sua eficácia na prevenção e tratamento da malária.
  9. A hidroxicloroquina tem alguns usos fora da bula, ou off-label, sendo que muitos ainda estão sendo discutidos pela comunidade científica.
  10. Foram publicados recentemente três principais estudos sobre a hidroxicloroquina e a Covid-19. O estudo contra a cloroquina foi publicado em 22 de maio de 2020, com análise de dados de 96 mil pacientes. O estudo concluiu a ausência de benefício claro da cloroquina em pacientes intra-hospitalares, e também o aumento de efeitos adversos, como arritmias graves. Porém, os dados levantados neste estudo foram posteriormente considerados inválidos e o estudo foi retratado pelo The Lancet, sendo totalmente desconsiderado para qualquer conclusão científica. Um estudo randomizado com 821 pacientes avaliando o efeito da hidroxicloroquina e profilaxia após exposição concluiu que a medicação é ineficaz para proteger os indivíduos que foram expostos à doença previamente. Em 5 de junho de 2020, ocorreu uma declaração oficial dos pesquisadores sobre o estudo clínico randomizado que está testando o efeito de várias drogas, incluindo a hidroxicloroquina, no tratamento da Covid-19. O estudo concluiu que a hidroxicloroquina não teve benefício clínico em pacientes hospitalizados após análise de mais de 4.600 pacientes.

Embora os estudos apresentados neste vídeo indiquem a ineficácia da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, é importante lembrar que as pesquisas sobre a doença ainda estão em andamento e novas evidências podem surgir. Além disso, é fundamental lembrar que qualquer medicação só deve ser usada com orientação médica e nunca como opinião política ou recomendada por leigos.

Referências:

  • https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166354220302011
  • https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4046551/
  • https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4926799/
  • https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11471003/
  • https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6775189/

Fonte: CLOROQUINA: 10 fatos que você NÃO sabe por Todo Médico Deve Saber