Bromidrato De Darifenacina Bula

Bromidrato de Darifenacina

Contraindicação do Bromidrato de
Darifenacina

Bromidrato de Darifenacina (substância ativa) é
contraindicado em pacientes com:

  • Hipersensibilidade à darifenacina ou a qualquer um dos
    excipientes do produto.
  • Retenção urinária.
  • Retenção gástrica.
  • Glaucoma de ângulo estreito não-controlado.

Não há contraindicação relativa a faixas
etárias.

Como usar o Bromidrato de Darifenacina

Bromidrato de Darifenacina (substância ativa) comprimido de
liberação prolongada deve ser tomado uma vez ao dia com líquido.
Pode ser ingerido com ou sem alimentação e deve ser engolido
inteiro.

O blister deve ser mantido dentro do cartucho a fim de proteger
o produto da luz.

Não deve ser mastigado, dividido ou
pulverizado.

Bromidrato de Darifenacina (substância ativa) deve ser
utilizado por via oral.

Este medicamento não deve ser partido, aberto ou
mastigado.

Posologia do Bromidrato de
Darifenacina


Adultos

A dose inicial recomendada é de 7,5 mg ao dia. Para pacientes
que necessitam de maior alívio de sintomas, a dose pode ser
aumentada para 15 mg ao dia, a partir de duas semanas do início do
tratamento, com base em respostas individuais. A dose terapêutica
máxima diária recomendada é de 15 mg/dia.

Pacientes geriátricos

Não é necessário ajuste de doses em pacientes idosos.

Pacientes pediátricos

Nenhum estudo foi realizado em crianças. Dessa forma, até que
mais informações estejam disponíveis, Bromidrato de Darifenacina
(substância ativa) não é recomendado para ser usado em
crianças.

Insuficiência renal

Não é necessário ajuste de doses em pacientes com insuficiência
renal.

Insuficiência hepática

Há um risco de exposição aumentada nessa população, entretanto,
nenhum ajuste de dose é requerido em pacientes com insuficiência
hepática leve (Child Pugh A).

A dose diária de Bromidrato de Darifenacina (substância ativa)
não deve exceder 7,5 mg em pacientes com insuficiência hepática
moderada (Child Pugh B). Bromidrato de Darifenacina
(substância ativa) não é recomendado para pacientes com
insuficiência hepática grave (Child Pugh C).

Reações Adversas do Bromidrato de
Darifenacina

De acordo com o perfil farmacológico, as reações adversas
relacionadas à droga (ADRs) em três estudos Fase III (n=1069) mais
comuns foram boca seca (20,2% e 35,0% para as doses de 7,5 mg e 15
mg, respectivamente versus 8,0% do placebo) e constipação
(14,8% e 21,0% para as doses de 7,5 mg e 15 mg, respectivamente
versus 5,4% do placebo). Entretanto, as taxas de
descontinuação devido a essas reações adversas foram baixas (boca
seca: 0% e 0,9% para 7,5 mg e 15 mg de darifenacina,
respectivamente; constipação: 0,6% e 1,2% para 7,5 mg e 15 mg de
darifenacina, respectivamente).

As reações adversas em ensaios clínicos (Tabela 2) com doses de
7,5 mg e 15 mg darifenacina estão listadas de acordo com classes de
sistemas de órgãos em MedDRA. Dentro de cada classe de sistemas de
órgãos, as reações adversas estão ordenadas por frequência, com as
reações mais frequentes primeiro. Dentro de cada grupo de
frequência, as reações adversas são apresentadas por ordem
decrescente de gravidade.

Além disso, a categoria correspondente à frequência
utiliza a seguinte convenção (CIOMS III) também é fornecido para
cada reação adversa à droga:

  • Muito frequentes (≥ 1/10).
  • Frequentes (≥ 1/100, lt; 1/10).
  • Pouco frequentes (≥ 1/1.000, lt; 1/100).
  • Raros (≥ 1/10.000, lt; 1/1.000).
  • Muito raros (lt; 1/10.000), incluindo relatos isolados.

A maioria das ADRs foi leve a moderada e não resultou em
descontinuação para a maioria dos pacientes. A incidência de
eventos adversos graves com darifenacina 7,5 mg e 15 mg, uma vez ao
dia, foi similar ao placebo.

Tabela 2 – Reações adversas observadas em estudos
clínicos

Classe de sistema de órgãos

Categoria de frequência

Reações adversas

Infecções e infestações Incomum Infecção do trato urinário
Distúrbios psiquiátricos Incomum Insônia, alteração do pensamento
Distúrbios do
sistema nervoso
Comum Dor de cabeça
Incomum Tontura, disgeusia, sonolência
Distúrbios
oculares
Comum Olhos secos
Incomum Diminuição da visão
Distúrbios vasculares Incomum Hipertensão
Distúrbios
respiratório, torácico e do mediastino
Comum Ressecamento nasal
Incomum Dispneia, tosse, rinite
Distúrbios
gastrintestinais
Muito comum Constipação, boca seca
Comum Dor abdominal, náusea, dispepsia
Incomum Flatulência, diarreia, ulceração na
boca
Distúrbios da pele e tecido
subcutâneo
Comum Rash, pele seca, prurido,
hiperidrose
Distúrbio renal e urinário Incomum Retenção urinária, distúrbios do
trato urinário, dor na bexiga
Distúrbios genitais e da mama Incomum Disfunção erétil, vaginite
Distúrbios gerais e condições no
local de administração
Incomum Edema perianal, astenia, edema da
face
Investigações Incomum Aumento de enzimas hepáticas (TGO
e/ou TGP)
Lesões, envenenamento e complicações
processuais
Incomum Lesão acidental

Em um estudo de dose titulada flexível (n=395), que avaliou o
regime de dose aprovado para comercialização, o perfil geral das
ADRs foi comparável aqueles observados na análise coletada dos três
estudos pivotais de doses fixas, com a diferença mais relevante nas
ADRs mais comuns. Boca seca foi reportada em 18,7% dos pacientes
tratados com darifenacina e em 8,7% daqueles tratados com placebo.
Foi reportada constipação em 20,9% e 7,9% dos pacientes com
darifenacina e placebo, respectivamente. As taxas de descontinuação
devido a essas ADRs em pacientes tratados com darifenacina foram
baixas (boca seca: 0,7%; constipação: 2,2%).

A incidência de reações adversas com as doses de Bromidrato de
Darifenacina (substância ativa) de 7,5 mg e 15 mg diminuíram
durante o período de tratamento maior do que 6 meses. Uma tendência
similar é também observada para as taxas de descontinuação.

Pós-comercialização

As reações adversas a seguir foram identificadas
baseadas em relatos espontâneos pós-comercialização

  • Reações de hipersensibilidade generalizadas.
  • Angioedema, com ou sem obstrução das vias aéreas foi
    relatada.

Pelo fato destas reações terem sido relatadas voluntariamente
por uma população de tamanho incerto, não é sempre possível estimar
confiantemente sua frequência (frequência desconhecida).

Atenção:

Este produto é um medicamento que possui 5 anos no país e,
embora as pesquisas tenham indicado eficácia e segurança
aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem
ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos.

Nesse caso, notifique os eventos adversos pelo Sistema
de Notificações em Vigilância Sanitária – Notivisa ou para a
Vigilância Sanitária Estadual ou Municipal.

Interação Medicamentosa do Bromidrato de
Darifenacina

O metabolismo da darifenacina é mediado primariamente pelas
enzimas do citocromo P450:CYP2D6 e CYP3A4. Portanto, inibidores
destas enzimas podem alterar a farmacocinética da darifenacina.

Inibidores da CYP2D6

Não é necessário ajuste de doses na presença de inibidores da
CYP2D6. No estado de equilíbrio, a exposição à darifenacina na dose
de 30 mg uma vez ao dia (duas vezes maior que a dose diária
recomendada) foi 33% maior na presença do potente inibidor da
CYP2D6, paroxetina 20 mg.

Inibidores da CYP3A4

Não é necessário ajuste de doses na presença de inibidores
moderados da CYP3A4 (ex.: fluconazol, eritromicina). A dose diária
de darifenacina não deve exceder 7,5 mg quando administrado com
inibidores potentes da CYP3A4 (ex.: cetoconazol, itraconazol,
miconazol, troleandomicina, nefazodona ou ritonavir).

CYP450 inibidor misto

A Cmáx e a AUC da darifenacina após dose de 30 mg uma vez por
dia no estado de equilíbrio foram de 42% e 34% superiores,
respectivamente, na presença de cimetidina, um inibidor da enzima
CYP450 misto.

Inibidores da glicoproteína-P

Darifenacina é um substrato do transportador de efluxo de drogas
glicoproteína-P.

O efeito in vivo da inibição da glicoproteína-P na
exposição não foi estudado.

Efeitos da darifenacina sobre outros
medicamentos

Substrato de CYP2D6

Deve-se ter cuidado quando a darifenacina é usada juntamente com
medicamentos que são predominantemente metabolizados pela CYP2D6 e
que possuem uma janela terapêutica estreita, como a flecainida,
tioridazina ou antidepressivos tricíclicos como a imipramina.

Substrato de CYP3A4

A darifenacina não apresentou efeito clinicamente relevante no
substrato de CYP3A4 durante a exposição ao midazolam e não teve
efeito sobre a farmacocinética dos contraceptivos orais
levonorgestrel ou etinilestradiol.

Outros medicamentos

Varfarina

A conduta de monitorar o tempo de protrombina para varfarina
deve ser mantida. O efeito da varfarina no tempo de protrombina não
foi alterado quando administrada com darifenacina.

Digoxina

A conduta de monitorar a digoxina deve ser mantida. A
darifenacina em dose de 30 mg uma vez ao dia (duas vezes maior que
a dose diária recomendada) administrada com digoxina resultou, no
estado de equilíbrio, em um pequeno aumento na exposição à
digoxina.

Deve-se monitorar a terapêutica da digoxina quando se iniciar e
terminar o tratamento com a darifenacina ou quando alterar a dose
de darifenacina.

Agentes antimuscarínicos

O uso concomitante de bromidrato de darifenicina com outros
agentes antimuscarínicos pode aumentar a frequência e/ou gravidade
dos efeitos farmacológicos antimuscarínicos como boca seca,
constipação e visão borrada.

Precauções do Bromidrato de Darifenacina

Bromidrato de Darifenacina (substância ativa) deve ser
administrado com precaução a pacientes com:

  • Obstrução clinicamente significativa do fluxo urinário
    vesical.
  • Risco de retenção urinária.
  • Constipação grave (definida como dois episódios de evacuação
    por semana ou menos).
  • Alterações obstrutivas do trato gastrintestinal, como estenose
    pilórica.
  • Risco de diminuição da motilidade gastrintestinal.

Bromidrato de Darifenacina (substância ativa) deve ser utilizado
com precaução em pacientes sendo tratados de glaucoma de ângulo
estreito.

Como com outros antimuscarínicos, os pacientes devem ser
instruídos a descontinuar Bromidrato de Darifenacina (substância
ativa) e procurar imediatamente atendimento médico caso sintam
edema da língua ou orofaringe, ou dificuldade para respirar.

Gravidez

Não há estudos de darifenacina em mulheres grávidas. Bromidrato
de Darifenacina (substância ativa) somente deve ser usado durante a
gravidez se os benefícios para a mãe superarem o risco potencial
para o feto.

Não foram realizados estudos em animais, nem em mulheres
grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram risco, mas não
existem estudos disponíveis realizados em mulheres grávidas.

Este medicamento pertence à categoria C de risco na
gravidez.

Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres
grávidas sem orientação médica ou do
cirurgião-dentista.

Lactação

A darifenacina é excretada no leite de ratas. Não se sabe se a
darifenacina é excretada no leite humano e, portanto, deve-se ter
cautela antes de administrar Bromidrato de Darifenacina (substância
ativa) a lactantes.

Efeitos na habilidade de dirigir e/ou operar
máquinas

Não foram realizados estudos sobre os efeitos na habilidade de
dirigir e/ou operar máquinas. Entretanto, Bromidrato de
Darifenacina (substância ativa) pode causar tontura ou visão
borrada. Os pacientes não devem dirigir veículos, utilizar máquinas
ou realizar outras tarefas que requerem atenção, caso se verifiquem
estas reações adversas.

Ação do Bromidrato de Darifenacina

Resultados de Eficácia


O programa de desenvolvimento da darifenacina demonstrou
eficácia reprodutível em casos de bexiga hiperativa, para as doses
de 7,5 mg e 15 mg. A darifenacina demonstrou uma resposta
proporcional à dose, clara e significante, na avaliação de eficácia
primária, ou seja, nos episódios de incontinência por semana.

Adicionalmente, a darifenacina comprovou eficácia na urgência e
frequência de micção. Em um estudo, a darifenacina reduziu o
despertar noturno devido à hiperatividade da bexiga, em comparação
ao placebo. A dose fixa de 15 mg foi numericamente superior à
tolterodina 2 mg, duas vezes ao dia.

Como a dose de 7,5 mg apresentou ação rápida e significante, em
duas semanas, um estudo foi conduzido para avaliar um regime de
dose mais alta nos indivíduos que necessitavam maior eficácia (A
1371047). Este estudo mostrou melhora adicional na eficácia devido
a este aumento opcional de dose para 15 mg.

Os dados também mostraram que a eficácia alcançada nos estudos
pivotais foi mantida por até 1 ano. A relevância da eficácia
demonstrada pela darifenacina nas avaliações clínicas primárias e
secundárias é embasada por melhoras relatadas pelos pacientes, pela
satisfação com o tratamento, pela preferência pelo tratamento e
disposição para um novo tratamento, e pela melhora nos parâmetros
de qualidade de vida, medidos por vários critérios estabelecidos e
validados para incontinência urinária.

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Características Farmacológicas


Farmacodinâmica

Grupo farmacoterapêutico:

antiespasmódico urinário.

ATC código:

G04B D10.

A darifenacina é um potente antagonista seletivo do receptor
muscarínico M3, que apresenta seletividade 9 a 59 vezes maior pelo
receptor M3 em relação aos receptores M1, M2, M4 e M5 humanos. O
receptor M3 é o principal subtipo que controla a contração do
músculo detrusor da bexiga urinária.

Estudos cistométricos realizados com darifenacina em pacientes
com contrações involuntárias da bexiga mostraram, após o tratamento
com darifenacina, capacidade da bexiga aumentada, como demonstrado
por um aumento do limiar volumétrico para contrações instáveis
e frequência diminuída de contrações instáveis do detrusor. Estes
dados são consistentes com as observações clínicas de que a
darifenacina aumenta a capacidade da bexiga e diminui a urgência e
a frequência da incontinência e da micção.

De acordo com o perfil de seletividade, a incidência de reações
adversas relacionadas ao sistema nervoso central, em todas as
doses, foi similar a do placebo. A incidência de reações adversas
cardiovasculares, como taquicardia, foi menor do que 1% em todas as
doses e não aumentou com a dose. Como é esperado desta classe de
drogas, foram observados trânsito do cólon prolongado e fluxo
salivar diminuído, de forma dependente da dose.

A tabela a seguir mostra os resultados de eficácia primária e
secundária, após 12 semanas, para darifenacina 7,5 mg e 15 mg em
dose fixa de uma vez ao dia.

Tabela 1 – Análise dos resultados coletados dos três
estudos clínicos Fase III com doses fixas de 7,5 e 15 mg de
Bromidrato de Darifenacina (substância ativa)

*A diferença entre a darifenacina e o placebo foi
estatisticamente significativa (p lt; 0,05, teste de Wilcoxon
estratificado).

Pode-se esperar um efeito do tratamento dentro de duas semanas.
Em duas semanas, tanto 7,5 mg quanto 15 mg de darifenacina
produziram melhoras estatisticamente significativas no número de
episódios de incontinência por semana, comparado ao placebo, que
foram mantidas durante o período de tratamento.

Em um estudo clínico de 12 meses de duração, a melhora no número
de episódios de incontinência por semana, em relação ao basal,
manteve-se. A melhora, em relação ao basal, nos parâmetros
secundários de eficácia, número de micções por dia, episódios de
urgência por dia e volume médio de urina eliminada, também foi
mantida.

Numa avaliação de qualidade de vida, a darifenacina (7,5 e 15
mg) foi associada com melhoras estatística e clinicamente
significativas, comparada ao placebo, no impacto da incontinência,
nas limitações funcionais e sociais, e no domínio das medidas de
gravidade, conforme definido pelo King’s Health
Questionnaire
(KHQ). A darifenacina 15 mg também foi associada
com melhora no domínio das emoções do KHQ.

Eletrofisiologia

O efeito no intervalo QT/QTc de um tratamento de seis dias com
15 mg e 75 mg de Bromidrato de Darifenacina (substância ativa) foi
avaliado em estudo dose-múltipla, duplo-cego, randomizado, placebo
e ativo-controlado (moxifloxacino 400 mg) com braços paralelos com
179 adultos sadios (44% homens, 56% mulheres) com idade de 18 a 65
anos. Desses voluntários, 18% eram metabolizadores fracos e 82%
metabolizadores fortes. O intervalo QT foi medido durante um
período de 24 horas, antes da dose e no estado de equilíbrio.

A dose de 75 mg de Bromidrato de Darifenacina (substância ativa)
foi escolhida porque resulta numa exposição similar àquela
observada nos metabolizadores fracos de CYP2D6 quando a maior dose
recomendada de darifenacina é administrada (15 mg) na presença de
um potente inibidor CYP3A4. Nas doses estudadas, o Bromidrato de
Darifenacina (substância ativa) não provocou, em nenhum momento
durante o estado de equilíbrio, o prolongamento do intervalo
QT/QTc, enquanto o tratamento com moxifloxacino resultou em um
aumento médio do QTcF inicial de cerca de 7,0 mseg quando comparado
ao placebo.

Nesse estudo, as doses de darifenacina 15 mg e 75 mg
demonstraram uma alteração nos batimentos cardíacos de 3,1 e 1,3
bpm, respectivamente, quando comparadas com o placebo. Entretanto,
nos estudos clínicos Fase II/III, a alteração da mediana do
batimento cardíaco após o tratamento com Bromidrato de Darifenacina
(substância ativa) não foi diferente da do placebo.

Farmacocinética

Absorção

A biodisponibilidade média oral da darifenacina no estado de
equilíbrio é estimada em 15% e 19% para os comprimidos de 7,5 e 15
mg, respectivamente. A darifenacina é rápida e completamente
absorvida após administração oral (gt; 98%), embora a
disponibilidade oral seja limitada pelo metabolismo de primeira
passagem. Os níveis plasmáticos máximos são alcançados 7 horas após
a administração dos comprimidos de liberação prolongada e os níveis
plasmáticos no estado de equilíbrio são alcançados no sexto dia de
administração. No estado de equilíbrio, as flutuações pico-vale das
concentrações de darifenacina são pequenas (picos durante a
flutuação: 0,87 para 7,5 mg e 0,76 para 15 mg), mantendo, portanto,
níveis plasmáticos terapêuticos durante o intervalo da dose.

Alimentos não afetam a farmacocinética da darifenacina durante a
administração de doses múltiplas dos comprimidos de liberação
prolongada.

Distribuição

A darifenacina é uma base lipofílica e 98% dela se liga a
proteínas plasmáticas (primariamente à alfa-1 glicoproteína-ácida).
O volume de distribuição no estado de equilíbrio (Vss) é
estimado em 163 litros.

Metabolismo

A darifenacina é intensamente metabolizada pelo fígado após
administração oral.

O metabolismo é mediado pelas enzimas do citocromo P450:
CYP2D6 e CYP3A4. As três principais vias metabólicas são as
seguintes:

  • Monoidroxilação do anel diidrobenzofurano.
  • Abertura do anel diidrobenzofurano.
  • N-desalquilação do nitrogênio da pirrolidina.

Os produtos iniciais das vias de hidroxilação e N-desalquilação
são os principais metabólitos circulantes, mas nenhum contribui
significativamente para o efeito clínico da darifenacina.

Variabilidade no metabolismo

Algumas pessoas têm deficiência na atividade da enzima CYP2D6
(aproximadamente 7% da população caucasiana). Assim, o metabolismo
da darifenacina nestes metabolizadores fracos será mediado
principalmente pela via CYP3A4. Indivíduos com atividade normal da
CYP2D6 são denominados metabolizadores fortes. As taxas da
darifenacina (metabolizadores fracos: metabolizadores fortes) para
Cmáx e AUC após 15 mg de darifenacina uma vez ao dia no
estado de equilíbrio foram de 1,9 e 1,7, respectivamente.

A análise de farmacocinética populacional dos dados da Fase 3
indicou que, na média, a exposição no estado de equilíbrio é 66%
maior em metabolizadores fracos do que em metabolizadores fortes.
Entretanto, há uma sobreposição considerável entre as faixas de
exposição observadas nestas duas populações e a experiência clínica
confirma que não há necessidade de uma dose especial para
metabolizadores fracos.

Excreção

Após administração de uma dose oral de solução de darifenacina
14C a voluntários saudáveis, aproximadamente 60% da
radioatividade foi recuperada na urina e 40% nas fezes. Apenas uma
pequena porcentagem da dose foi excretada como darifenacina
inalterada (3%). A depuração de darifenacina estimada é de 40
litros/hora para metabolizadores fortes e de 32 litros/hora para
metabolizadores fracos. A meia-vida de eliminação da darifenacina
seguida de administração crônica é aproximadamente 13-19 horas.

Raça

O efeito da raça sobre a farmacocinética do Bromidrato de
Darifenacina (substância ativa) não foi completamente
caracterizado.

Gênero

Nenhuma dosagem especial é necessária com base no gênero. Uma
análise de farmacocinética dos dados da população de pacientes
indicou que a exposição à darifenacina foi 23% menor em homens que
em mulheres. Nos estudos clínicos, os perfis de segurança e
eficácia não foram afetados pelo gênero.

Pacientes geriátricos

Não há necessidade de doses especiais para idosos.

Uma análise de farmacocinética dos dados da população de
pacientes indicou uma tendência de diminuição da depuração com a
idade (19% por década baseada na análise farmacocinética
populacional dos dados de Fase III de pacientes de 60-89 anos de
idade). Os perfis de segurança e eficácia não foram afetados pela
idade.

Pacientes pediátricos

A farmacocinética da darifenacina não foi estabelecida na
população pediátrica.

Insuficiência renal

Não há necessidade de doses especiais para pacientes com
insuficiência renal. Um pequeno estudo (n=24) de indivíduos com
diferentes graus de insuficiência renal (depuração de creatinina
entre 10 e 136 mL/min), recebendo 15 mg de darifenacina uma vez ao
dia, até o estado de equilíbrio, não demonstrou relação entre a
função renal e a depuração de darifenacina.

Insuficiência hepática

A farmacocinética da darifenacina foi investigada em indivíduos
com insuficiência hepática leve (Child Pugh A) ou moderada
(Child Pugh B), recebendo 15 mg de darifenacina uma vez ao
dia até o estado de equilíbrio. A insuficiência hepática leve não
teve efeito na farmacocinética da darifenacina. Entretanto, a
ligação da darifenacina às proteínas foi afetada pela insuficiência
hepática moderada. Após o ajuste para ligação às proteínas
plasmáticas, a exposição à darifenacina não-ligada foi estimada
como sendo quatro a sete vezes maior em indivíduos com
insuficiência hepática do que em indivíduos com função hepática
normal.

Dados de segurança pré-clinicos

Dados pré-clínicos não revelaram risco especial para seres
humanos com base em estudos convencionais de farmacologia de
segurança, toxicidade de dose repetida, genotoxicidade, potencial
carcinogênico e toxicidade na reprodução.

Estudos de carcinogenicidade com darifenacina foram conduzidos
em camundongos e ratos. Não houve evidência de carcinogenicidade
relacionada à droga em um estudo de 24 meses em camundongos, com
doses de até 100 mg/kg/dia ou, aproximadamente, 32 vezes a
AUC0-24h livre estimada em humanos alcançada com 15 mg,
que é a dose máxima recomendada em humanos (DMRH) (AUC na DMRH). O
mesmo ocorreu em um estudo de 24 meses em ratos, com doses de até
15 mg/kg/dia, aproximadamente 12 vezes a AUC na DMRH em fêmeas e
aproximadamente 8 vezes a AUC na DMRH em ratos machos.

A darifenacina não foi mutagênica em ensaios de mutação
bacteriana (teste de Ames) e ensaio de ovário de
hamster Chinês e, não foi clastogênica em ensaio de
linfócito humano e ensaio citogenético de medula óssea de
camundongo in vivo.

Não foram encontradas evidências de efeitos na fertilidade de
ratos (machos ou fêmeas) tratados com doses orais de até 50
mg/kg/dia. As exposições neste estudo correspondem a
aproximadamente 78 vezes a AUC na DMRH.

A darifenacina não foi teratogênica em ratos e coelhos com doses
de até 50 e 30 mg/kg/dia, respectivamente. Na dose de 50 mg/kg em
ratos houve um atraso na ossificação da vértebra sacral e caudal,
que não foi observada com doses mais baixas de 3 e 10 mg/kg.

A exposição neste estudo, na dose de 50 mg/kg, corresponde a
aproximadamente 59 vezes a AUC na DMRH. Na dose de 30 mg/kg em
coelhos, a darifenacina aumentou a perda pós-implantação, mas não
em doses mais baixas testadas (3 e 10 mg/kg). Neste estudo, a
exposição à droga não ligada em níveis de 30 mg/kg corresponde a
aproximadamente 28 vezes a AUC na DMRH.

Bromidrato-De-Darifenacina, Bula extraída manualmente da Anvisa.

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